Eis um tema difícil, independentemente da abordagem, seja ela religiosa, histórica, existencial, biológica. Falar da morte sempre desafiou os criadores, de Sêneca a Saramago, de Agatha Christie a Gabriel García Márquez.
Pois eis um livro que traz a morte no título, “A outra face da morte”, de Pedro Luiz Sarro, e durante todo o seu texto propõe uma abordagem serena sobre o tema.
O personagem principal, Neto, tem o desafio e a perplexidade de lidar com perdas de pessoas queridas. Instigado pelo avô, outra figura que vê a morte de forma diferente e uma espécie de alter ego do autor, o executivo e escritor Pedro Sarro, Neto vai da rejeição, passa pelo desafio e chega à compreensão sobre o tema, num enredo que mescla letras de canções, livros e filmes.
Peter, o avô, atua como o mestre que busca, com paciência e sabedoria, ensinar ao seu pupilo. Ao mesmo tempo, Neto recebe a influência do amigo (imaginário ou não) Tom, que o orienta em muitas situações difíceis, e cuja origem é revelada no final, justificando muitas das ações da história.
O desafio à morte é apresentado em situações em que o personagem participa de esportes radicais e situações-limite, em diferentes espaços geográficos, na Nova Zelândia, no Brasil, no México e na Índia. Do festival de Woodstock à pandemia do coronavírus, um espaço de décadas mostra a trajetória de Peter, sua filha e seu neto, na busca da compreensão e do entendimento sobre o maior mistério da nossa existência.
A narrativa é atraente, e “A outra face da morte” consegue tratar desse difícil tema com reflexões importantes, espirituais e filosóficas, ao mesmo tempo em que apresenta histórias de amor em sequência que perpassam três gerações, a mostrar que antes da morte existe a beleza da vida em todas as suas nuances.
Juca Novaes