“Novela”, livro de estreia de Carolina Torres, tensiona os limites entre intimidade, linguagem e autoria

Novela, livro de estreia de Carolina Torres, tensiona os limites entre intimidade, linguagem e autoria. Em uma escrita fragmentária, corporal e consciente de sua própria falha, Carolina Torres constrói uma narrativa sem enredo linear, feita de restos, reinícios e tentativas, uma novela íntima onde o “eu” se desdobra, se confunde e se contradiz.

A presença do corpo feminino é marcado como campo de linguagem: pelos, boca, sexo, olhos, músculos e sangue surgem como matéria crítica. A poeta investiga o desejo, o tempo, o fracasso e a repetição, explorando a ideia de estreia contínua, porque tudo parece acontecer pela primeira vez muitas vezes, ainda que certas contagens nunca se reiniciem.

Carolina nos diz, Novela, e nos dá um livro de poemas. Você vai buscar os personagens, a trama e ela se apresentará de forma fragmentada, como pelos arrancados a dedo, perdidos nas páginas. – Gabriela Perigo

Em diálogo direto com a poesia contemporânea e suas problemáticas, Novela é também um estudo sobre autoria: quem fala quando se escreve? O “eu” é próprio ou atravessado? Entre espelhos, citações instáveis, referências deslocadas e uma recusa deliberada da paternidade das coisas, o livro assume a escrita como gesto de apropriação, digestão e risco.

Carolina Torres, com humor ácido, erotismo e uma delicada violência, propõe uma poética que afeta o outro através da falha, da ferida e da insistência. Novela é um livro sobre cair sem cauda, mas ainda assim continuar pulando.

Novela é um livro de poemas, mas é também, e antes de tudo, um estudo. Um estudo sobre autoria na contemporaneidade, sobre o eu e seus deslocamentos, sobre quem fala quando se escreve. – Beatriz Malcher

O link do financiamento coletivo é:
https://benfeitoria.com/projeto/novelacacaltorres

Admiro sua Novela com os versos que escapam, conscientemente expandindo o risco. Importante que é sem ingenuidade. É pensamento rápido de quem sabe que convicções são cárceres. Poeta mil graus. – Guilherme Zarvos

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