“Elipse”: espetáculo solo transforma o fazer teatral em matéria de cena à partir de relatos pessoais

O espetáculo Elipse transforma o fazer teatral em matéria de cena ao conduzir o público por uma espécie de conversa com a atriz sobre o que sustenta o teatro. Entre relatos pessoais, trechos de outras obras e operações de luz à mostra, a peça revela o trabalho que normalmente permanece oculto. 

Escrito e encenado por Livs, com direção de Jefferson Almeida, o solo se constrói a partir de uma experiência que aproxima o público da cena. Com capacidade reduzida, apenas 30 espectadores acompanham a apresentação a partir do próprio palco, posicionados ao fundo, em uma perspectiva pouco usual que permite enxergar o teatro “de dentro”. As varas de iluminação, já na altura do olhar, expõem a estrutura desde o início e colocam o espectador em contato direto com elementos que normalmente ficam nos bastidores.

No palco, Livs não apenas atua: também opera e afina a iluminação, incorporando ao espetáculo seu ofício como técnica de luz. É dessa prática que emerge uma dimensão biográfica — foi pela iluminação que a artista encontrou uma forma de sustento no teatro, acumulando funções para permanecer na profissão. A peça toca, assim, na precarização do trabalho artístico e na dificuldade de reconhecimento do ofício, ainda muitas vezes incompreendido até por pessoas próximas.

“É uma arte ancestral, coletiva, precária e insistente. Ao final, o que se vê não é apenas uma peça, mas o traçado das forças que a fizeram existir”, afirma Livs.

Ao longo da peça, a noção de coletivo se impõe como eixo central: cerca de 35 profissionais — entre técnicos, bilheteiros, produtores e equipes de apoio — sustentam o funcionamento do teatro. Invisível na maior parte do tempo, essa rede ganha destaque na cena e desloca a ideia de criação individual para um fazer essencialmente compartilhado, como destaca o diretor Jefferson Almeida: “ao iluminar esses trabalhadores da cena, o espetáculo evidencia a engrenagem humana que sustenta a ‘magia’”.

O projeto inédito é realizado pelo Governo Federal, Ministério da Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, através da Política Nacional Aldir Blanc, com apoio da FUNARTE.

Sobre a Definitiva Cia. de Teatro

A Definitiva Cia. de Teatro é um coletivo independente em atividade desde 2008, no Rio de Janeiro. Fundada no Centro de Letras e Artes da UniRio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), a companhia mantém atuação contínua voltada à produção artística e à pesquisa de linguagem.

Ao longo de sua trajetória, desenvolve duas linhas de investigação:

Cena–Música — pesquisa em curso desde a fundação da companhia, dedicada a borrar os limites entre música e cena, estabelecendo um diálogo estrutural entre as linguagens. São resultados dessa investigação: Calabar, o elogio da traição (2008), Deus e o diabo na terra do sol (2011), A hora da estrela (2017), O som e a fúria – um estudo sobre o trágico (2020) e Bendegó (2024).

Exercícios de Atuação — linha de pesquisa iniciada em 2021, voltada à presença do ator e ao jogo como dispositivos de criação cênica. Resultam dessa investigação: Princípio da Incerteza (2023) e O Susto (2023).

Além dos espetáculos, a companhia realizou o sarau Rádio Sertão (2016), em parceria com o extinto Museu Tempo Glauber; o projeto audiovisual Cartas de Arquivo (2018), com o Arquivo Nacional; Calabar em Concerto (2018), versão compacta do espetáculo de estreia criada em comemoração aos 10 anos da companhia; e o documentário Percurso do gesto (2023), que compartilha o processo de criação de seu primeiro Exercício de Atuação. A Definitiva também desenvolve projetos formativos, como laboratórios criativos, oficinas culturais e residências artísticas.

Serviço: ELIPSE

Quando: 08 a 30 de abril
Dias/horários: quartas e quintas, às 19h
Local: Teatro Dulcina
Endereço: R. Alcindo Guanabara, 17 – Centro, Rio de Janeiro
Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 55 minutos
Capacidade: 30 lugares

Venda online: https://www.sympla.com.br/evento/elipse/3363867

Ficha técnica

Um espetáculo da Definitiva Cia. de Teatro
Dramaturgia, atuação, iluminação e operação de luz: Livs
Direção: Jefferson Almeida
Direção musical: Renato Frazão
Direção de arte: Arlete Rua – Cromático Produções
Assistência de direção: Luiz Filipe Carvalho
Preparação de elenco: Daniel Chagas
Artistas colaboradores: Betho Guedes, João Vitor Novaes, Marcelo de Paula, Paula Sholl e Tamires Nascimento
Operadora de som: Maria Clara Coelho
Técnicos de montagem: Giu Del Penho e Luiz Paulo Barreto
Programação visual: Davi Palmeira
Assessoria de imprensa: Lyvia Rodrigues – Aquela Que Divulga
Foto e vídeo: Coité Produção Audiovisual
Acessibilidade em Libras: Thamires Alves Ferreira
Contabilidade: VOX Contábil
Assistência de produção e gestão de mídias sociais: Higor Nery
Direção de produção: Tamires Nascimento

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