Como foi a trágica morte de Zilda Arns, a médica brasileira que dedicou a vida a cuidar crianças?

Zilda Arns Neumann nasceu em 25 de agosto de 1934, em Forquilhinha (SC). Médica pediatra e sanitarista, dedicou sua vida à defesa das crianças mais vulneráveis. Em 1983, fundou a Pastoral da Criança, junto com a CNBB, uma das maiores redes de ação social do mundo. Com voluntários, visitava famílias pobres, ensinava nutrição, vacinação e cuidados básicos. Reduziu drasticamente a mortalidade infantil no Brasil e expandiu o trabalho para dezenas de países.

Viúva desde 1978, criou sozinha seus seis filhos (um faleceu poucos dias após o nascimento e outra filha em 2003) e ainda fundou a Pastoral da Pessoa Idosa. Indicada ao Nobel da Paz, era chamada de “mãe dos pobres” por sua entrega incansável.

Em janeiro de 2010, aos 75 anos, Zilda estava em Porto Príncipe, Haiti, em missão humanitária para implantar a Pastoral da Criança no país devastado pela pobreza. No dia 12 de janeiro, após proferir uma palestra para cerca de 150 religiosos numa igreja, ela conversava com o padre haitiano William Smarth.

De repente, o violento terremoto de magnitude 7,0 sacudiu tudo. O teto desabou. O padre deu um passo para o lado. Zilda recuou um passo e foi atingida diretamente na cabeça por uma viga ou pedaço do teto. Morreu instantaneamente, sem sofrimento prolongado. Seu corpo não ficou soterrado — apenas a cabeça foi atingida.

“Amar é acolher, compreender e fazer o outro crescer.”
Zilda Arns

Ela estava no último parágrafo de seu discurso, falando exatamente sobre proteger as crianças “como um bem sagrado”, tal qual os pássaros protegem seus filhotes. Morreu fazendo o que mais amava: servindo os mais pobres.

A notícia chocou o Brasil. Milhares de pessoas compareceram ao velório em Curitiba. O presidente Lula esteve presente. O Haiti, que já sofria com cerca de 200 mil mortos no terremoto, perdeu uma grande amiga.

Zilda Arns é um exemplo de pessoa que revela que a solidariedade pode transformar o mundo. Sua morte trágica no Haiti simboliza o martírio de quem vive pelo outro. Hoje, seu processo de beatificação avança, e sua memória inspira milhares de voluntários da Pastoral da Criança em todo o planeta.

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