A força narrativa de Olga encontrará um novo território expressivo. O livro que consagrou Fernando Morais como um dos grandes biógrafos da literatura nacional está prestes a se transformar em um espetáculo musical inédito, em um projeto que une o escritor ao multiartista Eduardo Bakr — responsável pela produção, direção e autoria do texto dramatúrgico.
A montagem, que chega sob a chancela da Estamos Aqui Produções, já tem direção-geral designada a Tadeu Aguiar, enquanto o comando musical fica por conta de Thalyson Rodrigues. Para traduzir em partituras a densidade da trama, a compositora Laura Visconti assina a trilha original e os arranjos, com as letras das canções sob a pena de Bakr — uma divisão de tarefas que promete conferir coesão entre som e narrativa.
Publicado originalmente em 1985, o livro completa mais de quatro décadas de existência, escavando os escombros da história para contar a saga de Olga Benário Prestes. Alemã de origem judaica e militante comunista, ela viveu um intenso romance com Luís Carlos Prestes e desembarcou no Brasil em meio à efervescência política da época.
Quem foi Olga Benário?
Capturada durante o governo de Getúlio Vargas, foi deportada para a Alemanha nazista em 1936, ainda grávida.
Foi em solo alemão que deu à luz sua filha, Anita Leocadia Prestes, antes de ser confinada e, mais tarde, executada em um campo de concentração — um desfecho que sintetiza a brutalidade dos totalitarismos do século XX.
O sucesso editorial da obra, que ultrapassou fronteiras com traduções para diversos idiomas, já rendeu uma incursão no cinema em 2004, sob a direção de Jayme Monjardim e com atuação marcante de Camila Morgado no papel-título. Agora, cabe ao teatro musical o desafio de recriar essa atmosfera para uma nova geração de espectadores.
Por enquanto, os bastidores seguem em compasso de espera: a produção confirmou que o espetáculo está em fase de desenvolvimento, mas mantém sob reserva o elenco, o local de estreia, as datas e o cronograma de vendas. Ainda assim, a simples confirmação do projeto já inscreve Olga na tradição de grandes narrativas históricas brasileiras que migram para o formato musical, reafirmando a potência da dramaturgia nacional em revisitar, pela via da música e da cena, os episódios mais pungentes de nossa memória coletiva.
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Veja o trailer do filme: