“As vacas não me olham mais na cara”: construção da identidade e amadurecimento feminino no romance de Dora Freind

Em As vacas não me olham mais na cara, romance de estreia de Dora Freind, conhecemos uma menina que observa o mundo com uma lucidez precoce e aprende a nomear a dor quando ainda não dispõe de palavras para isso.

Numa cidadezinha rural marcada pela pobreza e pelo isolamento, a pequena narradora cresce entre a tensão familiar pautada pelo silêncio da mãe, misteriosamente emudecida após o parto, e as vacas de seu quintal, suas únicas companheiras.

À medida que novos vizinhos ocupam e desocupam a casa ao lado, a menina sem nome se “gentifica”, acumula palavras em vez de mugidos e vai deixando de ser bicho ao mesmo tempo em que dá de encontro com as descobertas da infância e as violências e fissuras do mundo adulto. Com rara precisão formal, Freind constrói uma história que contrasta a todo momento ingenuidade e lucidez, violência e delicadeza.

Espécie de prosa poética tomada por uma dicção infantil enternecedora, As vacas não me olham mais na cara é o tecido em que Freind constrói tanto um romance de formação quanto uma investigação sobre identidade, linguagem e amadurecimento feminino, uma história que transforma a infância em território de consciência.

Sobre autora:

Dora Freind é escritora, atriz e dramaturga. Bacharel em artes cênicas pela UNIRIO, teve sua trajetória reconhecida e premiada no Brasil e no exterior, com destaque para o Festival de Cinema de Veneza e o New Directors/New Films, em Nova York.

No Brasil e em outros países da América Latina, participou de importantes mostras como o Festival do Rio, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba e o Festival de Cinema de Punta del Este.

Nascida no Rio de Janeiro, em 1998, estreia na literatura com seu primeiro romance.

Saiba mais em: https://editoranos.com.br/produto/as-vacas-nao-me-olham-mais-na-cara/

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