Antigo prédio do DOPS pode se transformar em Centro de Memória da Ditadura Militar

Proposta de transformar antigo DOPS em Centro de Memória foi debatido em evento

O antigo prédio do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), no Centro do Rio de Janeiro, pode ganhar nova destinação. A ideia de convertê-lo em um Centro de Memória foi discutida na semana passada, em seminário da campanha “Sem Memória Não Há Democracia”.

O encontro reuniu representantes do poder público, especialistas e entidades da sociedade civil. Além do futuro do imóvel, o evento tratou de ações para recuperar, preservar e ampliar o acesso ao acervo documental sobre a repressão política no Brasil — um dos mais importantes registros de violações de direitos humanos durante o Estado Novo (1937-1945) e a Ditadura Militar (1964-1985).

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Histórico do prédio

Localizado na Rua da Relação, nº 40, o edifício foi inaugurado em 1910 como sede da Repartição Central de Polícia. Ao longo do tempo, tornou-se um dos principais símbolos da repressão no país.

Durante o Estado Novo, abrigou a Delegacia Especial de Segurança Política e Social. Entre 1962 e 1975, funcionou como sede do DOPS, órgão responsável pela investigação e prisão de opositores do regime militar. O local ficou conhecido por interrogatórios, detenções arbitrárias e denúncias de tortura. Também foi usado para apreensão de objetos de religiões de matriz africana, em uma política de perseguição cultural.

Transferência do acervo

A discussão ocorreu poucos meses após o início da transferência do acervo documental que ainda estava no prédio para o Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro (APERJ). A medida seguiu recomendação do Ministério Público Federal, que apontou graves problemas de conservação.

Inspeções feitas em inquérito civil aberto em dezembro de 2025 encontraram documentos espalhados no chão, guardados em sacos de lixo e sem identificação, com risco de perda de registros históricos.

Após a atuação do MPF, foi criado o Grupo de Trabalho DOPS, responsável pela identificação, catalogação e preservação do material, sob coordenação técnica do APERJ.

O evento aconteceu na sede do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RJ), no Flamengo. Os debates abordaram a destinação do imóvel e políticas públicas de preservação da memória e dos direitos humanos.

Fonte

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