Milton Hatoum toma posse na ABL e se torna primeiro amazonense a ocupar a cadeira de imortal

O escritor Milton Hatoum tomou posse na Academia Brasileira de Letras (ABL) na última sexta-feira (24), em cerimônia realizada na sede da instituição, no Petit Trianon, no Centro do Rio de Janeiro. Ele passa a ocupar a cadeira 6, sucedendo o jornalista Cícero Sandroni, que faleceu em junho do ano passado. Eleito em agosto do ano anterior, Hatoum se torna o primeiro autor nascido no Amazonas a integrar a ABL.

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O Jornal Nota esteve presente na ABL cobrindo o evento e acompanhou de perto a solenidade, com destaque para os discursos de Ana Maria Machado e do próprio Hatoum. A escritora Ana Maria Machado deu as boas-vindas ao novo imortal:

“Milton Hatoum realmente tem uma relação muito pessoal com o tempo. Flerta com eternidades, invoca perenidades, submerge em águas de permanência. Por isso, às vezes chega a causar estranheza numa época como a nossa, que se caracteriza por uma certa preferência por fenômenos passageiros”, disse Machado. “Milton Hatoum destoa disso e é assim há muito tempo. Desde bem antes deste momento agora, o instante em que tenho a alegria de saudá-lo com admiração e carinho, quando chega oficialmente à imortalidade literária ao se tornar membro da Academia Brasileira de Letras”, completou.

Em seu discurso, Hatoum citou importantes obras contemporâneas, como *A Queda do Céu*, de Davi Kopenawa, e a produção dos Racionais MC’s, ressaltando a diversidade e a força da literatura brasileira. Sem esquecer os grandes mestres, ele homenageou João Cabral de Melo Neto, Euclides da Cunha e, principalmente, Guimarães Rosa, sua maior inspiração. O escritor também lembrou com carinho de sua professora que o alfabetizou e que acompanhou seus lançamentos de livros até o fim da vida.

Confira um trecho:

“Não vivemos apenas no real, vivemos também no imaginário, nos sonhos, na literatura, nas artes, no teatro, essa arte viva. Na experiência mística. Vivemos também no devaneio. A humanidade não pode suportar tanta realidade como diz o famoso poema de Eliot. Um dos meus devaneios é imaginar um punhado de leitores anotando os mesmos trechos de um livro”, destacou Hatoum.

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