O ministro do STF Alexandre de Moraes, conhecido pelo Direito Constitucional, é um leitor voraz, com uma biblioteca de 6 mil livros, todos lidos, até os “chatos”. Apaixonado por história, política e biografias, ele lê várias versões do mesmo tema para comparar perspectivas. “Já li todas as biografias de Alexandre, o Grande no Brasil. Gosto de Claude Mossé, como em Péricles, o Inventor da Democracia, e de Júlio César, o Imperador, de Max Gallo”, diz.
Também aprecia líderes contemporâneos, como Churchill e Roosevelt, destacando Memórias da 2ª Guerra e a biografia de Stuart Ball. A leitura é um prazer natural para Moraes, sem rotina fixa. “Leio à noite, após o jantar, e perco a noção do tempo. Anoto ideias, o que estimula o cérebro”, conta.
A Política, de Aristóteles, influenciou sua especialização em Direito Constitucional, inspirado pelos estudos do filósofo sobre cidades conquistadas por Alexandre, o Grande. Ele se considera um “leitor compulsivo”, mas não vê o digital superando o papel, criticando a superficialidade da internet. Moraes lamenta a pouca leitura no Brasil, um problema educacional. “Incentivo meus filhos a ler, mas é difícil competir com a internet”, reflete.
Sua dedicação aos livros, especialmente biografias e política, reflete sua busca por conhecimento profundo, essencial à sua formação, revelando um ministro que compreende o mundo, uma página por vez.
Confira alguns livros indicados por ele ao site Conjur em 2010 em matéria de Cesar Oliveira:
A Política, de Aristóteles

A Política, de Aristóteles, também teve um papel fundamental em sua vida, inclusive, direcionando sua especialização em Direito para a área constitucional. “Aristóteles foi o perceptor de Alexandre, o Grande. Sempre que conquistava alguma cidade, Alexandre enviava animais, insetos e vegetais para Aristóteles pesquisar. Com base nisso e em outras informações, ele fez uma planilha daquilo que as cidades tinham em comum e foi criando alguns princípios básicos de organização”, explica.
Compre aqui:
https://amzn.to/3KeIPdJ
O Guarani, José de Alencar

Pode até nem ser o primeiro livro que leu na vida, mas a primeira memória literária do constitucionalista aponta para O Guarani, de José de Alencar. Ele conta que é até estranho lembrar desta obra. Isso porque não é muito fã de romances nem gostou do final deste livro. Ele acredita que tenha marcado sua memória justamente por esse motivo — por nunca ter lido muito romance ao longo da vida. O ministro conta que leu na época em que tinha “uns sete, oito anos”, porque deve ter ganho em alguma coleção, diferentemente da maioria das crianças e jovens que costumam ler O Guarani na escola, por obrigação.
Compre aqui:
https://amzn.to/4n0ncwo
Leia também: Alexandre de Moraes cita Machado de Assis em decisão que impõe tornozeleira a Jair Bolsonaro
Péricles, o Inventor da Democracia

Nesta biografia de Péricles, célebre personalidade política da Antiguidade grega, Claude Mossé, uma das maiores hele-nistas da França, joga nova luz sobre o modelo democrático de Atenas visto como etapa na elaboração de um sistema político original. Discute também questões da liderança ambígua de Péricles, “primeiro cidadão de Atenas”, no momento da maior influência ateniense no Mediterrâneo oriental, pulverizando mitos e relativizando lugares-comuns.
Compre aqui:
https://amzn.to/3V5nBRY
A Odisseia, de Homero

A narrativa do regresso de Ulisses a sua terra natal é uma obra de importância sem paralelos na tradição literária ocidental. Sua influência atravessa os séculos e se espalha por todas as formas de arte, dos primórdios do teatro e da ópera até a produção cinematográfica recente.
Aos 13 anos, Moraes leu Odisséia, de Homero. Este por gostar mesmo, já que, de acordo com ele, sempre teve bastante interesse por mitologia.
Compre aqui:
https://amzn.to/3V6ef8D
Eficácia das Normas Constitucionais e Direitos Sociais, de Celso Antônio Bandeira de Mello

Uma obra jurídica de destaque na biblioteca de Moraes é a Eficácia das Normas Constitucionais e Direitos Sociais, de Celso Antônio Bandeira de Mello. Para o ministro, foi o primeiro livro que colocou a aplicação prática do direito constitucional no dia a dia das pessoas. Moraes, inclusive, conta que essa obra lhe inspirou a escrever um livro semelhante, abordando as aplicações do direito na prática.
Compre aqui:
https://amzn.to/4mX8cPW
Os melhores discursos de Martin Luther King, Um apelo à Consciência

Para o proprietário de uma biblioteca de seis mil livros, recomendar apenas uma obra é uma tarefa praticamente impossível. No entanto, entre todas as obras citadas por Moraes, ele ressalta Os melhores discursos de Martin Luther King, Um apelo à Consciência. Segundo o ministro, há um discurso na obra, que não é o mais conhecido do líder negro, sobre a comparação entre os americanos chegando e conquistando a terra com Moisés. Ele acredita que este discurso é mais interessante que aquele em que Luther King fala do sonho. No entanto, este último, de acordo com Moraes, tem mais impacto por conta do conteúdo motivacional. Mas, ainda assim, ele prefere aquele que trata da questão da terra.
Compre aqui:
https://amzn.to/4ggLyzv

