Domenico De Masi foi um sociólogo italiano dos maiores importantes do século XX e XXI. Falecido recentemente, Domenico formulou um dos conceitos mais interessantes da contemporaneidade: o “ócio criativo”.
A proposta é que o tempo livre, ao contrário do senso comum, não é algo necessariamente negativo, mas pode estimular a criatividade pessoal. Além disso, cultivar o ócio é uma forma de resistência contra o mundo capitalista do consumo, do trabalho e da produção incessante e exacerbada.
De Masi foi professor emérito de Sociologia do Trabalho na Universidade Sapienza de Roma, onde foi reitor da faculdade de Ciências da Comunicação. A morte foi confirmada neste sábado, embora a causa ainda não tenha sido relevada.
Em agosto de 2023, ele descobriu que tinha uma doença invasiva, enquanto estava de férias em Ravello, segundo o jornal italiano Il Fatto Quotidiano e faleceu logo em seguida aos 85 anos.
O Nota separou as melhores frases de Domenico De Masi. Confira:
“O futuro pertence a quem souber libertar-se da ideia tradicional do trabalho como obrigação e for capaz de apostar numa mistura de atividades, onde o trabalho se confundirá com o tempo livre, com o estudo e com o jogo, enfim, com o “ócio criativo”.
A plenitude da atividade humana é alcançada somente quando nela coincidem, se acumulam, se exaltam e se mesclam o trabalho, o estudo e o jogo; isto é, quando nós trabalhamos, aprendemos e nos divertimos, tudo ao mesmo tempo.
“Você não é o que faz no emprego, mas o que faz fora dele. É nas horas de ócio que alguém pode tornar-se mais culto ou mais ignorante.”
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“Para os trabalhadores de muitos países permanecem válidas as observações feitas por Schulz há um século e meio: “Milhões de homens conseguem obter os meios de subsistência estritamente necessários somente por meio de um trabalho cansativo, fisicamente desgastante, moral e espiritualmente deturpante. Eles são obrigados até a considerar como uma sorte a desgraça de ter achado um tal trabalho.”
“O ócio pode transformar-se em violência, neurose, vício e preguiça, mas pode também elevar-se para a arte, a criatividade e a liberdade.”
O ócio é necessário à produção de idéias, e as idéias são necessárias ao desenvolvimento da sociedade. Do mesmo modo que dedicamos tanto tempo e tanta atenção para educar os jovens para trabalhar, precisamos dedicar as mesmas coisas e em igual medida para educá-los ao ócio.
“Somente as pessoas imaturas precisam de muito dinheiro para preencher bem seu tempo de folga.”
O tédio abordado pelos existencialistas é sobretudo uma falta de sentido. Uma falta e uma busca de sentido, que nascem, justamente, do excesso de tempo disponível e da inexistência de compromissos que sirvam para preenchê-lo. Como quando estamos carentes de alguma coisa fundamental que possa servir de âncora para a nossa existência, ou como quando não compartilhamos objetivos para os quais possamos canalizar as nossas energias mais positivas.
“O burocrata acerta nove vezes em dez. O criativo erra nove vezes e acerta uma. Entretanto, uma vez que acerta, abre caminhos para a humanidade.”
Na verdade, a opinião do indivíduo só vale quando coincide com o parecer dos poderosos.
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