Nobel de Literatura J. M. Coetzee diz que se considerava um apoiador de Israel, mas que “aniquilação em Gaza mudou tudo”

O escritor sul-africano J. M. Coetzee recusou o convite para integrar o Festival Internacional de Escritores de Jerusalém, justificando a decisão com a conduta do governo israelense na Faixa de Gaza.

Em carta enviada aos organizadores, o laureado com o Prêmio Nobel de Literatura de 2003 declarou:

“Nos últimos dois anos, o Estado de Israel tem vindo a levar a cabo uma campanha genocida em Gaza, profundamente desproporcionada face à provocação assassina de 7 de outubro de 2023”, escreveu Coetzee na carta, citado pelo The Guardian.

Em sua carta, ele prossegue:

“Esta campanha, conduzida pelas Forças de Defesa de Israel (IDF), parece ter o apoio entusiástico da grande maioria da população israelense. Por esse motivo, nenhum setor significativo da sociedade israelense, incluindo a comunidade intelectual e artística, pode afirmar que não partilha a responsabilidade pelas atrocidades em Gaza.”

O autor recordou que já foi defensor de Israel e que essa posição o motivou a visitar o país para receber o Prêmio Jerusalém, em 1987. No entanto, ressaltou que a ofensiva em Gaza alterou sua percepção.

Leia também: Leituras #17: Foe, de J. M. Coetzee

O evento literário está programado para ocorrer entre 25 e 28 de maio em Jerusalém. Coetzee, aos 86 anos, reside atualmente na Austrália e é visto como um dos escritores vivos mais aclamados do planeta, tendo sido o primeiro a vencer duas vezes o Booker Prize, destinado a autores em língua inglesa, com “Vida e Época de Michael K” (1983) e “Desonra” (1999). 

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