Nas próximas semanas a Unesco deve anunciar o reconhecimento dos manuscritos de Luiz Gama, um dos maiores nomes do abolicionismo no Brasil, como Patrimônio Documental da Humanidade.
A candidatura e a possibilidade de fazer parte do Patrimônio Documental da Humanidade se deve ao trabalho de destaque do abolicionista na história brasileira, se dá pelo ineditismo dos documentos, que seguem pouco explorados.
Em 2024, o acervo de Luiz Gama foi aprovado para receber o certificado de registro do Comitê Regional para a América Latina e o Caribe (MoWLAC) no Programa Memória do Mundo em 2025.
Luiz Gama foi autor de inúmeros processos judiciais e responsável pela “Questão Netto”, a maior ação em prol da libertação de pessoas negras escravizadas na América Latina, um feito considerado de extrema relevância não somente para o movimento abolicionista brasileiro do século XIX, como para a história do mundo.
A “Questão Neto” foi um processo judicial iniciado pelo advogado abolicionista Luiz Gama em 1869, após ele descobrir que o testamento do rico comendador Manoel Joaquim Ferreira Netto, que determinava a libertação de 217 pessoas escravizadas após sua morte, não estava sendo cumprido por sua família e seus sócios.
Diante disso, Gama acionou a Justiça para garantir que a vontade do falecido fosse respeitada, dando início a uma ação considerada por historiadores como a maior iniciativa coletiva de libertação de pessoas escravizadas nas Américas.
Bruno Rodrigues de Lima, historiador, advogado, pesquisador do Instituto Max Planck e autor de Obras Completas de Luiz Gama, foi um dos responsáveis pela catalogação do acervo de Luiz Gama e tem vibrado com o possível reconhecimento pela Unesco.
Em seu perfil no Instagram, Bruno afirma em um post que:
“sobre o potencial reconhecimento dos escritos de Luiz Gama como patrimônio histórico mundial da @unesco. Isso está em vias de acontecer — o que está diretamente ligado à recente resolução da ONU reconhecendo o tráfico transatlântico de africanos escravizados como “o crime mais grave contra a humanidade”.
Ao reconhecer os manuscritos do abolicionista Luiz Gama como Patrimônio Documental Mundial, a Unesco está dando mais um pequeno passo para tornar seu acervo mais completo e agora também composto pelo maior nome do abolicionismo negro brasileiro.