O longa-metragem “Carolina – Quarto de Despejo”, filmado no Rio de Janeiro no segundo semestre de 2025, vai ser exibido no Rio Goes to Cannes 2026, que apresenta produções brasileiras em pós-produção no Marché du Film, conforme foi publicado pela Variety.
O filme protagonizado e produzido por Maria Gal foi selecionado pelo Festival do Rio para participar do Marché du Film, uma área de mercado dentro do Festival de Cannes. Quem conduziu a direção de “Carolina – Quarto de Despejo” foi Jeferson De, diretor renomado e ocupará o espaço em Cannes ao lado de mais quatro filmes pós-produzidos para um grupo de avaliadores.
Este é um trabalho que se iniciou há 11 anos com a preparação da equipe e em especial da atriz protagonista, Maria Gal, que perdeu 18 quilos para esta atuação. Além disso, Maria Gal, enquanto produtora, esteve em Cannes em 2025 em busca de coprodutores que topassem coproduzir o filme ao seu lado.
Leia também: Conceição Evaristo e “Carolina Maria de Jesus” se encontram ao final das filmagens de Quarto de Despejo
A filmagem de “Carolina – Quarto de Despejo” foi apresentada como um projeto sobre uma voz que ainda reverbera e se tornou universal por seu alcance enquanto obra literária.
Segundo Maria Gal,
“Sua trajetória envolve temas urgentes e globais — justiça social, empoderamento feminino, educação, sustentabilidade — e acredito que esse filme tem enorme potencial para dialogar com festivais e públicos do mundo inteiro”.
Carolina Maria de Jesus (1914-1967) foi uma escritora e poeta brasileira, que viveu durante as décadas de 1950 e 1960 na extinta Favela do Canindé em São Paulo, e precisou catar resíduos, em especial papel para conseguir sustentar os seus três filhos. Uma história que ela narra por meio de seus diários, em especial o clássico Quarto de Despejo (1960), que vendeu mais de 1 milhão de cópias em 14 línguas em mais de 40 países.
O trabalho de resgate e amplificação de vozes negras, como o que a Move Maria, produtora de “Carolina – Quarto de Despejo”, tem realizado, é cada vez maior e tem trazido à tona, não apenas no cinema, mas também em outras expressões artísticas como a literatura, vozes e pessoas que tiveram suas histórias invisibilizadas.