Em 2025, organizei uma matéria indicando livros, filmes e séries que pudessem nos ajudar a refletir acerca da violência contra a mulher. Os registros do ano passado superaram os registros de 2024. Segundo a reportagem da Folha de São Paulo, os números devem crescer ainda mais, já que alguns estados ainda não emitiram os pareceres referentes ao mês de dezembro. Conforme dados da Secretaria de Segurança Pública, 266 mulheres foram assassinadas, número que representa o maior registrado desde o início da sistematização desses casos, em 2018.

É cansativo para grupos sub-representados ter de refletir, a todo instante, sobre as estruturas nas quais as violências estão solidificadas. É mais cansativo, ainda, ter de pavimentar caminhos para se estar vivo.
Como não há outra alternativa, trabalhamos até o corpo ficar exaurido e elaboramos nossa raiva e descontentamento. Às vezes, chegamos até a rosnar quando percebemos que, em média, quatro mulheres são assassinadas por dia.
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Para pessoas que leem, os livros desenvolvem um papel importante para essa elaboração — por isso fiz a matéria indicando algumas obras. Lembro-me de A Vegetariana, de Han Kang, indicada pela nossa colunista Bia Fonseca. Kang nos recorda que o ódio ao feminino inicia-se nos detalhes e nos momentos sutis do cotidiano.
Já a escritora portuguesa Lídia Jorge, por meio do conto O marido, lembra-nos que sociedades autoritárias sob a benção da religião, encontram solo fértil para práticas de morte. Penso que ao dar forma narrativa a essas experiências violentas, a literatura — ou quaisquer obras de artes — são fundamentais para se perceber que não são casos isolados ou desvios individuais.

