Marco Feliciano é condenado e vai indenizar mãe de Cazuza com R$ 80 mil por posts homofóbicos

Em uma decisão unânime, a 16ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) confirmou a condenação do deputado federal e pastor Marco Feliciano (PL-SP) ao pagamento de R$ 80 mil em indenização por danos morais a Lucinha Araújo, mãe do lendário cantor Cazuza. A sentença põe fim a um longo processo judicial movido em 2017, após Feliciano publicar vídeos homofóbicos utilizando imagens, músicas e letras do artista, morto em 1990 devido a complicações da AIDS.

O caso e as ofensas

Os vídeos em questão, amplamente compartilhados nas redes sociais do parlamentar, distorciam a obra e a imagem de Cazuza – ícone da música brasileira e símbolo da luta contra a AIDS – para disseminar discursos de ódio contra a comunidade LGBTQIA+. Em um dos posts, Feliciano associou a homossexualidade do cantor a “degeneração” e “pecado”, além de usar trechos de suas canções de forma deturpada.

Lucinha Araújo, que desde a morte do filho tornou-se uma ativista pelos direitos das pessoas vivendo com HIV/AIDS, não hesitou em levar o caso à Justiça. As declarações do deputado não apenas violavam a memória de Cazuza, mas também reforçavam estereótipos prejudiciais a milhões de pessoas.

Leia também: Mãe de Cazuza quer que Ney Matogrosso termine canções inéditas do cantor

A decisão judicial

A sentença, originalmente proferida em primeira instância, foi mantida pelo TJ-RJ. Os desembargadores consideraram que Feliciano ultrapassou os limites da liberdade de expressão ao incitar a discriminação e ofender a honra de Cazuza e de sua família.

“O direito à liberdade de manifestação do pensamento não é absoluto e não pode servir de escudo para a propagação de mensagens de ódio”, destacou um trecho da decisão. O valor de R$ 80 mil será revertido a Lucinha, mas, simbolicamente, a condenação representa uma vitória contra a homofobia estrutural no país.

Um símbolo de resistência

Cazuza, falecido aos 32 anos, deixou um legado artístico e humano inestimável. Suas músicas, como “Brasil” e “O Tempo Não Para”, seguem atuais, assim como sua coragem em assumir publicamente sua sexualidade e sua batalha contra a AIDS em uma época de intenso preconceito.

A condenação de Feliciano não é apenas uma reparação pessoal, mas um passo importante na luta por respeito e igualdade.

Fonte

Related posts

Biógrafo de Clarice Lispector encontra livro de receitas quase desconhecido da escritora

Fundação José Saramago emite carta questionando critérios de retirada do autor das leituras obrigatórias do ensino em Portugal

22 séries históricas sobre grandes rainhas da humanidade