“Ode à errância”: a poesia de Adonis, o maior poeta vivo de língua árabe 

Para os amantes da poesia ou para aqueles que gostam de mergulhar no universo literário árabe, Ode à errância apresenta uma coletânea de poemas de Adonis, considerado o maior poeta vivo de língua árabe.

“Anos a fio mergulhado na poesia árabe, Adonis procura resgatá-la, redesenhá-la. Boa parte de seus livros responde a tal desafio. Não renuncia ao árabe, quando escreve. Língua de exílio e intervalo. Não porque more em Paris, insiste. Todo poeta vive o exílio da língua, para melhor explorá-la, som e sentido, como quem passa fronteiras, ao longo de sua corrente sanguínea, orgânica e social.”

Marco Lucchesi na introdução de Ode à errância

O título Ode à errância foi uma sugestão do próprio Adonis para este volume da edição brasileira que reúne três das suas produções mais recentes: Concerto Alquds, de 2012; Zócalo, de 2014; e Osmanthus, de 2019. 

Nesses três livros, que juntos formam uma ode contínua à errância, o poeta vaga por Alquds (Jerusalém), pela Cidade do México e outras localidades do país americano, por Pequim e pela geografia da Montanha Amarela, levantando camadas, revelando o Oculto, alisando o trivial. 

A experiência individual e também histórica está disseminada em toda obra poética de Adonis, que opera com uma enorme variedade de temas, estilos e vozes narrativas. A “errância” de Adonis é um gesto poético, uma predisposição ao aberto, ao risco, ao jogo. Trata-se de levar o olhar contemplativo, por natureza introspectivo, ao questionamento.

Ode à errância, está em pré-venda com 30% OFF até o dia 27/05, no site da editora Tabla. Acesse aqui: https://editoratabla.com.br/catalogo/ode-a-errancia/ 

Leia também: “A queda do Imã”: romance feminista de Nawal El-Saadawi retrata o fundamentalismo de toda religião

Leia um trecho:

“Não, nós só tratamos com os raios para firmar a paz com o
espaço. A eternidade é um ínterim em nossos escritos.
Quando viajávamos pelos rios e mares, a água nos
cingia, aconchegando-nos em seus joelhos. Uma vez,
o dia errou ao pronunciar nosso nome. Outro dia,
o espaço interpelou nossos caminhos e só obteve
silêncio. Quisemos dar as mãos para a natureza,
mas elas se fizeram de estátuas.

Dê seus braços, montanha, para esse cervo.
Dê seu peito, árvore, para esse papagaio.
Dê suas mamas, gruta, para esse morcego.
A terra inteira é a casa de uma só família.”

Sobre o autor:

Adonis nasceu no vilarejo de Qassabin, na costa mediterrânea da Síria. É um dos maiores nomes da poesia e da atual crítica em língua árabe. Traduzido para diversos idiomas, é reconhecido pela modernização que aportou para a poesia e pelo seu posicionamento em defesa da laicização da sociedade.

Dos pais recebeu o nome Ali Ahmad Said Esber, mas adotou ainda jovem o nome Adonis, colhido dos mitos ancestrais de sua terra natal, reforçando uma dimensão mítica e pagã que permeia toda sua literatura.

Adonis editou revistas literárias, traduziu poetas ocidentais para o árabe e sempre incentivou a produção de jovens poetas, além de ter publicado muitos livros de poesia e alguns ensaios. Em 2011, tornou-se o primeiro poeta árabe a ganhar o Prêmio Goethe, na Alemanha.

Sobre o tradutor:

Michel Sleiman é professor de língua e literatura árabe na USP. Pela tradução do poemário Onze astros (Tabla, 2021), de Mahmud Darwich, foi contemplado com o Prêmio Turjuman de melhor tradução do árabe para qualquer outro idioma, conferido na Feira Internacional do Livro de Sharjah em novembro de 2021. 

Para a Tabla, traduziu também o clássico pré-islâmico Poema dos árabes, de Chânfara, e a novela Umm Saad, de Ghassan Kanafani. Coordenou, ao lado de Safa Jubran, um grupo de jovens tradutores para verter do árabe ao português a antologia Gaza, terra da poesia. Em 2012, Michel preparou e traduziu, para a editora Companhia das Letras, a antologia Poemas: Adonis. 

Related posts

“Quando a inocência morreu”: romance de Estrela Ruiz Leminski busca história de avós desconhecidos

Tudo que você precisa saber sobre as adaptações de “O Conde de Monte Cristo”

“Elena sabe”: um retrato sobre o luto e a perda do controle do próprio corpo