O catálogo da Tela Brasil reúne algumas das obras mais marcantes, provocativas e inventivas do cinema nacional, atravessando diferentes épocas, estilos e formas de pensar o país. Entre clássicos consagrados, documentários fundamentais e produções recentes, a plataforma gratuita oferece uma oportunidade ímpar de explorar a riqueza da cinematografia brasileira sem barreiras de acesso.
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Para destacar algumas das joias disponíveis no catálogo da Tela Brasil, a equipe de cinema do Nota selecionou cinco títulos que representam diferentes momentos e tendências da nossa cinematografia. Da força literária de A Hora da Estrela ao experimentalismo de Ilha das Flores, passando por obras que discutem desigualdade, memória, colonialismo e crise climática, esta lista é um convite para descobrir, ou revisitar, grandes filmes brasileiros sem sair de casa.
Letícia Magalhães
A Hora da Estrela (1985)
Dir. Suzana Amaral

Baseado nos obra-prima literária de Clarice Lispector, esse clássico traz Marcélia Cartaxo, em sua estreia no cinema, como a patética e apaixonante Macabéa, uma das maiores anti-heroínas da ficção brasileira. O filme colecionou prêmios pelos festivais onde passou e foi eleito um dos 100 títulos essenciais da nossa História pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema.
Lina Quintella
Ilha das Flores (1989)
Dir. Jorge Furtado

Se precisássemos apresentar a humanidade (e suas misérias) a um extraterrestre, poderíamos começar por este curta de Jorge Furtado. Um dos melhores de todos os tempos, premiadíssimo no Brasil e no exterior, Ilha das Flores nos mostra “a diferença entre tomates, porcos e seres humanos”: em apenas doze minutos desvela a barbárie da racionalidade, a lógica capitalista e as desigualdades, por meio de uma cadeia de definições em que cada elemento deriva do anterior, numa concatenação implacável. Com a objetividade de uma demonstração científica ou de um verbete enciclopédico, conduz-nos, com humor ácido e satírico, a uma realidade trágica.
Guilherme Veiga
Cama Vazia (2023)
Dir. Fábio Rogério e Jean-Claude Bernardet

O filme de Fábio Rogério e de Jean Claude-Bernadet retrata os últimos momentos do lendário pensador do cinema brasileiro, e coloca em xeque a necessidade da longevidade da vida, e se pergunta: quem lucra estendendo a vida?
Luiz Ribeiro
Barravento (1962):
Dir. Glauber Rocha

Barravento (1962) é um drama dirigido por Glauber Rocha que acompanha Firmino, um negro instruído que retorna à sua aldeia de pescadores na Bahia. Ele tenta libertar a comunidade da opressão econômica do dono da rede e do misticismo religioso (o candomblé), gerando fortes tensões sociais e conflitos
Alexandre Bispo
Javyju – Bom dia (2024)
Dir. Carlos Eduardo Magalhães e Kunha Rete

As disputas territoriais entre povos originários e os interesses do capital financeiro vêm ganhando cada vez mais espaço nas telas, especialmente no documentário. Neste vigoroso curta ficcional, os realizadores subvertem a narrativa colonial para construir uma distopia em que os povos indígenas — amparados pela proteção dos encantados — retomam a paisagem urbana paulistana, devastada pela ação dos brancos e pela escassez de recursos naturais. Trata-se de um exercício cinematográfico potente, que expõe com contundência nosso papel de testemunhas passivas diante do agravamento da crise climática e da escalada de violência contra essas comunidades.

