“Não Vou Escrever Poesias, e Outros Textos”: editoras brasileiras se reúnem para lançar textos de crianças palestinas

De acordo com a jornalista Mônica Bergamo, dezoito editoras brasileiras decidiram unir forças em um projeto inédito: a tradução e publicação no Brasil do livro “Não Vou Escrever Poesias, e Outros Textos”, escrito e ilustrado por crianças palestinas da Faixa de Gaza. A iniciativa, batizada de Editoras pela Palestina, reúne casas editoriais com foco na literatura infanto-juvenil e tem como propósito promover empatia e conscientização sobre a realidade das infâncias palestinas.

Participam do coletivo as editoras Selo Emília, Tabla, Palavras Educação, Barbatana, Bazar do Tempo, Bináh, Boitempo e Boitatá, Casa das Letras, Caixote, Lumiar, Padaria de Livros, Peirópolis, Pó de Estrelas, Quelônio, Solisluna, Veneta, Oh! e WMF Martins Fontes.

Imagem: UNICEF/UNI448902/Ajjour

O livro será lançado em edição bilíngue — português e árabe —, e toda a renda arrecadada será destinada ao Instituto Tamer para a Educação Comunitária, organização que há mais de 35 anos atua no território palestino em projetos de leitura, cultura e formação.

Leia também: Um trauma coletivo diante do genocídio: “Gaza está em toda parte”, de Alexandra Lucas Coelho

Segundo o grupo de editoras, o objetivo é sensibilizar crianças e adolescentes brasileiros sobre a situação vivida por seus pares em Gaza e mostrar como a literatura pode ser um espaço de resistência e expressão mesmo em meio à guerra.

Os textos que compõem “Não Vou Escrever Poesias, e Outros Textos” foram produzidos no primeiro semestre de 2024, em oficinas promovidas pelo Instituto Tamer com a participação do escritor Hani al-Salmi e da artista Hana Ahmad.

A obra integra a série “Crianças do Mar e das Laranjas”, que busca dar voz às infâncias palestinas. O primeiro volume, “Lembranças das Crianças do Mar”, foi lançado em 2014, seguido por “O que Aconteceu com o Eid?”, publicado em 2022. Agora, com o novo livro, a coleção ganha continuidade e reforça a potência da literatura como instrumento de memória e solidariedade. Dessa forma, o Brasil se junta a uma rede internacional de iniciativas que buscam preservar a voz das infâncias palestinas, vozes que, mesmo cercadas pela destruição, resistem por meio da escrita. 

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2 comentários

Pe Gilberto dos Santos 22 de outubro de 2025 - 11:06
Que iniciativa maravilhosa, pena não estar na lista das editoras outras que se dizem cristãs
Bias Busquet Guimarães 24 de outubro de 2025 - 13:00
Ótimo texto!
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