Judith Butler faz forte discurso contra reconciliação com o mundo injusto: “não ter medo de ser chamado de tolo”

Judith Butler, um dos maiores nomes dos estudos de gênero da atualidade, faz forte discurso contra a reconciliação com o mundo injusto. Em uma fala curta e cirúrgica ela nos convida a repensar nossa relação com os que se dizem ‘realistas’:

“Contra os chamados realistas que nos dirão que tudo está sendo destruído e que somente tolos/as pensam que a destruição pode ser interrompida, devemos nos tornar tolos/as sábios e não ter vergonha de ser tolos/as”.

Em seu discurso, Judith também ressalta que é muito difícil encarar pessoas ‘realistas’ e finalmente informar que é possível “imaginar juntos/as e produzir um movimento massivo de resistência”, pelo contrário, é necessário resistir e aceitar o título de ‘tolo’.

Afinal, para Judith, ser um tolo é algo bom, neste mundo injusto. Significa que não nos reconciliamos com a realidade, mesmo que a realidade não tenha se transformado, afinal, “por que deveríamos nos reconciliar com a realidade?”.

Para Judith, não é preciso se adaptar ou se reconciliar com a realidade. É importante olhar para este mundo e pensá-lo de outras formas, com criatividade e imaginação, vislumbrando novas possibilidades de mundos.

Judith Butler e as discussões sobre gênero

Judith Butler é uma filósofa estadunidense, com uma carreira acadêmica que trata de teorias sobre a natureza performativa de gênero e sexualidade, sendo muito influente na filosofia francocêntrica, na teoria cultural, na teoria queer e em algumas escolas de feminismo filosófico do final do século XX.

Judith Butler/ Fonte: Reprodução da Internet

Um de suas principais obras é Problema de gênero (1990), em que aborda a questão da identidade e de sua fluidez e das condições para tratar sobre a libertação da mulher em consonância com a subversão da identidade da mulher. 
Sua crítica se estende às regras heterossexistas que regulam a identidade e o corpo. Suas maiores influências intelectuais são Foucault e Derrida. Seu pensamento tem sido fundamental nos estudos queer e nos debates contemporâneos sobre identidade.

Judith Butler e Krenak: ideias para adiar o fim do mundo

Quando Judith Buther traz este forte discurso sobre a importância de não se adaptar ou de se reconciliar com a realidade e seus defensores, é impossível não convidar Ailton Krenak para a conversa.

Ideias para adiar o fim do mundo, Ailton Krenak (2019)/ Fonte: Reprodução da internet

Krenak é autor de diversas obras, entre elas, Ideias para adiar o fim do mundo (2019). Com ideias muito importantes sobre a humanidade e sua relação com a Terra, Krenak afirma:

“Então, pregam o fim do mundo como uma possibilidade de fazer a gente desistir dos nossos próprios sonhos. E a minha provocação sobre adiar o fim do mundo é exatamente sempre poder contar mais uma história. Se pudermos fazer isso, estaremos adiando o fim do mundo”. (Krenak, A. p. 14)

Neste enunciado, é possível reconhecer uma conexão com o que Butler fala sobre ‘não ter medo de ser tolo’, ou seja, de não acreditar no que nos dizem sobre o mundo e de tentar criar novas possibilidades, segundo Krenak, novas histórias.

Assim, é possível considerar uma realidade diferente, composta por possibilidades de um mundo, longe da realidade imposta e mais próxima de um mundo mais justo.

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