Era incrível não ter que escolher um filme para ver em casa e apenas encarar a sorte do que a TV aberta nos entregava. Agora, com as opções infinitas dos streamings, é quase impossível avançar da fase da escolha e ver um filme, de fato.
Para te ajudar a dar uma chance à HBO Max, que tem um dos melhores catálogos dos últimos anos, fizemos uma lista com 10 filmes para você ver em setembro. Confira filmaços dos anos 1990 e 2000 que com certeza passariam no Supercine na época em que a gente via a Globo aos sábados à noite.
10) Dia de Treinamento (Antoine Fuqua, 2001)
É um filme de ação inesperado por várias razões. Ninguém imaginava que Denzel Washington e Ethan Hawke, como uma dupla de policiais de narcóticos, teriam tanta química juntos, nos papéis de veterano e inexperiente, respectivamente.
Na época, também era difícil de imaginar Denzel como um vilão e, além de surpreender, ele ganhou um Oscar pelo papel. Hawke, deslocado e até ingênuo, como tinha que ser para o seu detetive novato, também ganhou uma indicação de ator coadjuvante da Academia.
Por uma série de elementos improváveis que funcionam muito bem, esse filme é um dos melhores dos anos 2000.
Minha nota no Letterboxd: 4 estrelas.
9) Razão e Sensibilidade (Ang Lee, 1995)
Uma das melhores adaptações da obra de Jane Austen, que mostra deliciosamente bem como a escritora inglesa gostava de uma fofoca e tinha esperança nos homens aristocratas.
Neste romance do século XIX, os ainda jovens Kate Winslet, Hugh Grant e Emma Thompson nos envolvem o bastante para o épico não cansar em nenhum momento, mesmo com uma trama sem novidades sobre uma família de mulheres que perde o patriarca e, desprovida de dinheiro e status, precisa encontrar maridos para as filhas.
Com uma fotografia lindíssima, o filme entrega comédia, caos e contemplação na medida certa.
Minha nota no Letterboxd: 3 estrelas e meia.
8) Da Magia à Sedução (Griffin Dunne, 1998)
O filme, que acompanha as carismáticas irmãs Owens, fez tanto sucesso que até voltou à exibição nos cinemas em 2026, 28 anos após a estreia. Sally (Sandra Bullock) e Gillian (Nicole Kidman) são irmãs de uma linhagem de bruxas que carrega uma maldição: todo homem que se apaixona por uma mulher da família morre cedo.
Provavelmente, você viu este longa quando era criança e, por isso, vale muito a pena rever, não só pela releitura da abordagem das mulheres poderosas como bruxas, mas especialmente para apreciar Nicole Kidman no vigor do fim dos anos 90, com seu magnetismo de it girl.
Minha nota no Letterboxd: 3 estrelas.
7) Cidade de Deus (Fernando Meirelles, 2002)
Se você acha que o cinema brasileiro foi injustiçado no Oscar 2026 por O agente secreto ter voltado de mãos vazias, lembre-se de Cidade de Deus.
A obra-prima de Fernando Meirelles recebeu 4 indicações inéditas da Academia, incluindo as categorias prestigiadas de direção e roteiro adaptado, não levou nenhuma e sequer foi considerado entre os filmes estrangeiros daquele ano.
Ambientada na favela carioca entre 1960 e 1980, a saga do crime organizado ganha realismo e espontaneidade únicos pela perspectiva de jovens que cresceram e formaram grandes laços de amizade neste lugar de caos e violência. Sem dúvida, um dos maiores merecedores de reconhecimento global do nosso cinema no século XXI.
Minha nota no Letterboxd: 4 estrelas e meia.
6) Questão de Honra (Rob Reiner, 1992)
Este é um dos grandes filmes de Rob Reiner, o diretor e ator norte-americano que infelizmente teve uma morte trágica no fim de 2025. Tem duas razões que fazem desse filme uma escolha obrigatória: o elenco e a ambientação em tribunal.
Aqui, temos, de um lado, Jack Nicholson como um corrupto militar de alta patente e, de outro, Tom Cruise como um jovem advogado militar com muito ego e pouca experiência, tendo que provar sua honra como homem da lei.
Ainda tem Demi Moore como uma espécie de conselheira jurídica, cujo papel pode lembrar o de Jodie Foster em Silêncio dos Inocentes (1991) como única mulher em um mundo sufocantemente masculino.
Minha nota no Letterboxd: 4 estrelas.
5) Os Imperdoáveis (Clint Eastwood, 1992)
Este longa é um dos que melhor representam a filmografia de Eastwood, pois entrega um western mais artístico que evidencia a masculinidade absolutamente frágil dos homens mais perversos.
Aqui, o diretor, que também protagoniza a história, é um assassino profissional aposentado. Implacável na antiga vida, agora ele é um viúvo em uma vida pacata com os filhos, que resolve voltar ao trabalho para uma última missão: executar a vingança de um homem que desfigurou o rosto de uma prostituta da fictícia cidade de Big Whiskey.
Para se tornar um matador, este homem precisa se afastar dos próprios sentimentos, e é nesse processo que os filmes de velho oeste de Eastwood revelam uma sensibilidade única.
Minha nota no Letterboxd: 4 estrelas.
4) O Advogado do Diabo (Taylor Hackford, 1997)
Você já deve ter visto esse clássico filme de tribunal que se revela um suspense sobrenatural, mas sempre vale a pena rever, porque é incrível ver Al Pacino interpretando o próprio Satã.
Interessante como o ator começa os anos de 1990 como Michael Corleone e caminha para o fim da década como o próprio diabo, revelando faces distintas de um caminho muito sombrio. Neste longa de 1997, ele é o misterioso e sádico chefe de Keanu Reeves, um jovem advogado no auge da carreira, disposto a tudo para ir além.
Essa talvez tenha sido a última grande performance do ator que, após o sucesso de Matrix (1999), assumiu uma interpretação de pouca expressividade em todos os papéis a seguir.
Minha nota no Letterboxd: 4 estrelas.
3) Se7en (David Fincher, 1995)
Quem já viu Seven sabe que Clube da Luta (1999) não é o melhor filme de David Fincher dos anos 90.
Com a trama magnética do assassino em série que mata inspirado pelos 7 pecados capitais, o suspense transita por uma linha entre o niilismo e a vida com propósito, com dois detetives oscilando entre esses dois polos, interpretados por Brad Pitt e Morgan Freeman.
Além do enredo, há elementos muito intrigantes no filme, como o fato de que chove o tempo todo e o nome da cidade nunca é citado. Haveria alguma razão para isso? Veja o filme e comente aqui depois.
Minha nota no Letterboxd: 4 estrelas.
2) Gattaca (Andrew Niccol, 1997)
Era comum ver esta ficção científica nas escolas. Revê-la na vida adulta mostra que a obra envelheceu bem e continua relevante para os tópicos complexos que aborda, como a eugenia, o mérito e a ambição.
O futuro distópico em que um jovem cientista (Ethan Hawke) é considerado inválido para uma missão espacial simplesmente por não ser abençoado com uma genética perfeita é mais fácil de relacionar com a realidade de hoje do que gostaríamos.
A trama é envolvente em cada detalhe da saga em que o jovem se rebela contra a própria “invalidez” e assume a identidade do seu colega de quarto (Jude Law) para integrar a missão. A estética e as tecnologias do filme são uma razão a mais para incluir este título na sua watchlist.
Minha nota no Letterboxd: 4 estrelas e meia.
1) As pontes de Madison (Clint Eastwood, 1995)
Este filme tem o meu casal favorito da ficção hollywoodiana. Uma dona de casa do interior remoto dos Estados Unidos e um fotógrafo da National Geographic vivem um amor proibido.
A química entre os personagens vividos por Meryl Streep e Clint Eastwood é construída de uma forma que me fez lembrar de uma escultura de Bernini, em que o artista foi capaz de esculpir a fricção dos dedos de Plutão afundando na carne de Prosérpina quando ele a agarra pela cintura e pela coxa, movimentos retratados com tamanha sensibilidade para expressar emoções de imensa força.
Streep sabe interpretar como ninguém o fascínio de uma mulher na redescoberta do desejo, e Eastwood vive aqui uma virilidade diferente dos seus outros papéis, mais intelectual e sensível. Com certeza, um dos melhores romances do cinema.
Minha nota no Letterboxd: 5 estrelas.

