Após mais de quatro décadas longe da sala de aula, impedida pelo marido de continuar os estudos, a costureira idosa Josélia Santos da Silva, de 65 anos, moradora do bairro Fazenda Grande 4, em Salvador, realizou um sonho antigo: foi aprovada no Sisu (Sistema de Seleção Unificada) e ingressará na universidade federal. Josélia parou de estudar na 7ª série do Ensino Fundamental e ficou 43 anos sem frequentar a escola.
O sonho de voltar a aprender, porém, nunca morreu. Em 2022, com o apoio da filha Jovelina Santos Silva Uzêda e dos netos, ela se matriculou na Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Colégio Estadual Luiz José de Oliveira, concluiu o Ensino Médio e prestou o Enem. A nota obtida no exame garantiu a aprovação no curso de Bacharelado Interdisciplinar em Cultura, Linguagens e Tecnologias Aplicadas, na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).
“Foi uma alegria enorme para todos nós”, comemorou Josélia ao receber a notícia. A filha Jovelina destacou o empenho da mãe: “Ela sempre demonstrou vontade de aprender. Quando soube que poderia disputar uma vaga pelo Sisu, pediu minha ajuda. Fizemos a inscrição juntas e acompanhamos todo o processo”.
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O exemplo inspirou até a neta Emília Santos da Conceição Silva, que está no 8º ano do Ensino Fundamental: “Ver minha avó entrando na faculdade me dá ainda mais vontade de continuar estudando”. Determinada a superar os desafios da graduação, Josélia mantém a mesma garra que a levou até aqui.
“O segredo é não parar de estudar. Ler, se atualizar e não desistir, mesmo quando parece difícil. Depois de tanto tempo longe da escola, agarrei essa oportunidade e consegui”, afirmou. A história de Josélia reforça o impacto do EJA na Bahia, modalidade que atende mais de 77 mil estudantes na rede estadual, segundo a Secretaria de Educação. O programa permite que pessoas a partir de 15 anos (Ensino Fundamental) e 18 anos (Ensino Médio) retomem os estudos.
Um exemplo vivo de que nunca é tarde para recomeçar.
Parabéns, dona Josélia!

