Este definitivamente é o ano de Ana Maria Gonçalves. Após ter sido eleita para ocupar uma cadeira n. 33 na Academia Brasileira de Letras, teve um aumento exponencial de seu romance Um defeito de cor (2006) e receberá sua primeira publicação internacional.

O romance de formação, que conta a história de Luiza Mahin, denominada com Kehinde, com um fundo histórico que retrata a travessia do Atlântico e as sujeições do regime escravocrata no Brasil, além do resgate da nossa história sob uma perspectiva não eurocêntrica, será publicado em Portugal.
Um defeito de cor (2006) está prestes a completar 20 anos de publicação, e ultrapassará as fronteiras brasileiras pela primeira vez após ter seus direitos arrematados em um leilão na Feira de Frankfurt pela editora Bertrand, do Grupo Porto Editora, com previsão de chegada às livrarias de Portugal no primeiro semestre de 2026.
O calhamaço de quase 1000 páginas chama a atenção não apenas por seu volume, mas pelo seu caráter literário-político, nos provando a importância de conhecer o outro lado da história, nos indicando os “perigos de uma história única”, como nos alerta a escritora nigeriana, Chimamanda Ngozi Adichie.
Ao longo dos anos, o livro tem despertado a atenção de toda a sociedade, incluindo o ambiente acadêmico, que estuda o livro sob a perspectiva de diversas disciplinas e sendo adotado em escolas de todo o país como literatura essencial para compreender a história do nosso país.

Em 2024, Um defeito de cor foi o tema do samba-enredo da Portela que ganhou o prêmio Estandarte de Ouro de 2024. Com a edição portuguesa, Ana Maria Gonçalves alcança maior expansão internacional, torna-se mais uma voz da literatura escrita por mulheres negras no Brasil.
Ao alcançar esta visibilidade, Ana abre caminhos para que mais escritoras negras alcancem espaços de visibilidade internacionalmente, por meio da arte como instrumento político e social.

