O escritor Cristóvão Tezza é o vencedor do Prêmio Machado de Assis 2026. A premiação, concedida pela Academia Brasileira de Letras pelo conjunto da obra, será entregue no dia 23 de julho, durante a cerimônia de comemoração dos 129 anos da ABL. Tezza receberá também R$ 100 mil, oferecidos pela Light.
Cristóvão Tezza nasceu em Lages (SC), em 1952. Em 1959, perdeu o pai; dois anos depois, a família mudou-se para Curitiba (PR), cidade onde vive até hoje e que marca sua literatura.
Em 1968, integrou o Centro Capela de Artes Populares (CECAP), dirigido por W. Rio Apa, e participou de montagens teatrais com Denise Stoklos e o grupo XPTO. Essas experiências juvenis inspiraram o romance Ensaio da Paixão (1981).
Concluiu o ensino médio em 1970. Em 1971, ingressou na Escola de Oficiais da Marinha Mercante, mas desligou-se no mesmo ano. Em 1974, viajou a Portugal para estudar Letras em Coimbra, mas, com a universidade fechada pela Revolução dos Cravos, percorreu a Europa por um ano, retornando ao Brasil em 1976.
Casou-se em 1977 e morou em Rio Branco (AC), onde iniciou o curso de Letras. Transferiu-se para Curitiba, fez mestrado em Florianópolis (UFSC) e doutorado na USP (2001), com a tese sobre Bakhtin. Em 2009, após o sucesso de O filho eterno, deixou a universidade para dedicar-se integralmente à literatura.
Cristóvão Tezza é autor de mais de 20 livros de ficção e figura entre os escritores mais produtivos, premiados e traduzidos de sua geração no Brasil. Entre seus principais romances estão “Trapo” (1988), que o lançou nacionalmente, “A suavidade do vento” (1991), “Juliano Pavollini” (1992), “Breve espaço entre cor e sombra” (1988), “O fotógrafo” (2004), “O filho eterno” (2007), “O professor” (2014), “A tirania do amor” (2018) e “A tensão superficial do tempo” (2020). Vários contos avulsos, reunidos depois na coletânea “Beatriz” (2011), criaram a personagem que reaparece nos romances “Um erro emocional” (2010), “A tradutora” (2016) e “Beatriz e o poeta” (2022).
Na área de não ficção, publicou duas coletâneas de crônicas: “Um operário em férias” (2013) e “A máquina de caminhar” (2016), sua autobiografia literária “O espírito da prosa” (2012), o livro de poemas “Eu, prosador, me confesso” (edição limitada, 2017) e a coletânea de ensaios “Literatura à margem” (2018). Na área acadêmica, lançou “Entre a prosa e a poesia: Bakhtin e o formalismo russo” (2002) e a coletânea “Leituras: Resenhas e ensaios” (2014).
Leia também: Para conhecer Dalton Trevisan: entrevista com o diretor do filme “Daltonismo” (2006)
Seu maior sucesso, o romance “O filho eterno”, foi adaptado para o cinema (direção de Paulo Machline) e para o teatro (direção de Daniel Herz, no Brasil e na Argentina, com texto adaptado por Bruno Lara Rezende). O livro recebeu no Brasil os prêmios Jabuti, Portugal-Telecom (atual Oceanos), Zaffari-Bourbon, Bravo!, APCA e São Paulo de Literatura. Seu trabalho mais recente, “Visita ao pai”, definido por ele como um “romance da memória” sobre a correspondência deixada por seu pai, acaba de ser lançado pela Companhia das Letras.