Alunos de escola pública criam “Dicionário de Gírias Urbanas” para valorizar linguagem das periferias

Iniciativa em escola municipal registra vocabulário das comunidades e promove reflexão sobre identidade cultural

Alunos do 5º ano da Escola Municipal Gersino Coelho, em Salvador, estão ajudando a construir um “Dicionário Interativo das Gírias Urbanas”, como parte do projeto “É de Quebrada que Eu Vou”. A atividade tem como objetivo documentar e valorizar as expressões linguísticas das periferias, muitas vezes estigmatizadas.

Coordenados pela professora Lorena Bárbara Santos Costa, os estudantes pesquisaram termos usados em suas comunidades, explicando significados e contextos. O trabalho foi além do registro: promoveu discussões sobre diversidade linguística e combate ao preconceito contra falares populares.

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Da quebrada para a sala de aula da escola

A criação do dicionário foi uma das ações do projeto que busca incluir a cultura das favelas no currículo escolar. Outras atividades incluíram:

  • Cine Quebrada: exibição de filmes que retratam a vida nas periferias
  • Sarau Literomusical: apresentações de poesia, música e dança
  • Formas de Brincar na Favela: resgate de brincadeiras tradicionais com materiais reciclados

Na última atividade citada, os alunos reconstruíram diversões como pé-de-lata, futebol com bola de meia e peteca de jornal, mostrando como a criatividade transforma objetos simples em brinquedos.

Linguagem como expressão cultural

O projeto surgiu de uma reflexão sobre como a escola pode dialogar melhor com a realidade dos estudantes. Ao pesquisar a origem dos bairros onde moram e comparar com a história dos quilombos, os alunos começaram a perceber conexões entre passado e presente.

O dicionário de gírias tornou-se então uma forma concreta de documentar essa cultura viva, mostrando que a linguagem das periferias é rica e cheia de significado. A iniciativa demonstra como a educação pode ser mais inclusiva ao reconhecer e valorizar os saberes que os alunos trazem de suas comunidades.

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