As pessoas que se interessam por cinema tendem a acumular uma lista – física, digital ou mental – de filmes a serem vistos. O problema é que eles nem sempre ornam com nosso estado de espírito nos raros tempos ociosos. Por isso, fiz uma seleção de 11 dicas de filmes na Netflix que – além de englobar diferentes gêneros, linguagens e territórios – foram pensados para dias românticos, nostálgicos, chorosos e assim por diante
A composição está disponível logo abaixo:
Dica para um dia de chuva acompanhando (ou sozinho)…
- 1 – Ponte Aéra (Brasil, Julia Rezende, 2015)

Para começar, reconheço a falta de boas comédias românticas nos últimos anos. Felizmente, uma opção brasileira está disponível para aquecer os corações. Antes de se tornar estrela de novela, Letícia Colin brilhou como uma paulista bem-sucedida que se encanta por um carioca (Caio Blat) “deixa a vida me levar”. Nas idas e vindas pela ponte que intutula o filme, o casal vive as dores e delícias de uma relação de papéis invertidos, explorando os contrastes entre Rio e São Paulo
Confira abaixo o trailer de “Ponte Aérea”:
Dicas para reviver os anos 80 (sem Inteligência Artificial)…
- 2 – Flashdance (EUA, Adrian Lyne, 1983)

Não é necessário elaborar muito para apontar aspectos datados e “furos de roteiro” nesse clássico da Sessão da Tarde. Mas, se os anos oitenta estão em voga, é impossível não lembrar da soldadora que – ao som de Irene Cara – desbrava as pistas de dança com o sonho de se tornar bailarina. Afinal, água com açúcar é certamente melhor do que água para um data center
- 3 – Bingo: O rei das manhãs (Brasil, Daniel Rezende, 2017)

As biografias são produtos de adesão popular dentro e fora do nosso país. Contudo, a maioria delas pende para a homenagem, se furtando de aspectos mais controversos de seus protagonistas. Um bem-humorado antídoto para essa formulação chapa branca é “Bingo: O rei das manhãs”, longa-metragem de estréia do montador Daniel Rezende. Esqueça Joaquin Phoenix! O ator que melhor vestiu o nariz de palhaço no cinema recente é Vladimir Brichta como icônico Bozo
Assista o trailer da cinebiografia abaixo:
Dicas para lembrar da magia no corre-corre cotidiano….
- 4 – Lazzaro Felice (Itália, Alice Rohrwacher, 2018)

Alguns filmes são experiências visuais e sonoras tão marcantes que é difícil indicá-los recorrendo ao logline de duas linhas do streaming. A premissa simples – um jovem bondoso vivendo a exploração do trabalho numa Itália rural – se desbodra de formas tão inesperadas (e encantatórias) que é preciso testemunhar com os sentidos. Decerto, Alice Rohrwacher é um nome a se guardar
- 5 – Peter Pan (Austrália, P.J. Hogan, 2003)

Mesmo dispondo de recursos ilimitados, é apachapante o fracasso da Disney em emular a magia das animações clássicas em suas refilmagens em live-action. Surpreendentemente, um dos melhores trabalhos com essa proposta é oriundo de outro estúdio (Universal) e tem mais de duas décadas de lançamento. A essa altura, Peter Pan já cresceu, mas o deslumbre visual dessa adaptação fica. Nostálgico para os jovens dos anos 2000 e vigoroso para as gerações que estão por descobir a história
Dicas para sentir fé diante das dúvidas…
- 6 – Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out (EUA, Rian Johnson, 2025)

A terceira incursão da franquia “Knives Out” se distancia do universo dos ricos para abordar os dilemas da fé. Apesar de ter sido recebido com menos entusiasmo, é um filme que alterna humor, mistério e cenas de partir o coração. Se Daniel Craig está automatizado, Josh O’Connor entrega um dos seus melhores trabalhos
- 7 – Apocalípse nos Trópicos (Brasil, Petra Costa, 2024)

Talvez um novo documentário narrado por Petra Costa sucinte lembranças difíceis da pandemia e contraponha o escapismo desejado quando abrimos o streaming. Mas, levando em conta o panorama eleitoral, um olhar atencioso sobre a ascensão evangélica traz nuances importantes para debates tão marcados pelo ruído comunicacional no nosso país
O documentário é uma produção original Netflix e seu trailer pode ser conferido abaixo:
Dicas para puxar o lenço e chorar…
- 8 – Como ganhar milhões antes que a vovó morra (Tailândia, Pat Boonnitipat, 2024)

Nessa obra tailândesa, um jovem desempregado se aproxima da avó ranzinza com a finalidade de se beneficiar no testamento. Pouco a pouco, a encenação dessa relação truncada – marcada por abismo geracional, capitalismo tardio e iminência de morte – entra por debaixo da pele, resultando numa reflexão comovente sobre economia do cuidado
- 9 – O Casamento de Rachel (EUA, Jonathan Demme, 2008)
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Uma rápida passada de olhos pelos lançamentos de cinema recentes atestam a boa fase de carreira da atriz Anne Hathaway. Mas, antes de entoar o hino “I Dreamed I Dream” e vestir Prada pela segunda vez, a intérprete teve seu melhor desempenho nesse drama familiar dilacerante. Conforme a câmera na mão nos aproxima da problemática Kim (Hathaway), sentimos que algo está para irromper na celebração que intitula o filme
Dicas para uma sessão tiro, porrada e bomba!
- 10 – Armadas e Perigosas (EUA, Paul Feig, 2013)

Até o mais chato dos críticos pode se identificar com o desejo por diversão de qualidade. Com essa diretriz simples, mas não fácil de achar, esse “buddy cop” feminino com Sandra Bullock – a eterna Miss Simpatia – e Melissa McCarthy é um tiro certeiro. Em conclusão, é desses exemplos em que o título brasileiro traduz melhor a essência do filme que o genérico “The Heat”
- 11 – Propriedade (Brasil, Daniel Rezende, 2022)

Em tempos em que o cinema brasileiro se divide entre produções comerciais de pouca ambição artística e filmes “evento” validados por festivais estrangeiros, é revigorante que uma obra como “Propriedade” esteja disponível no streaming. Luta de classes, paranoias urbanas e um quê de Stephen King temperam esse terror nacional cheio de tensão que rende discussões acaloradas. De fato, a falta de consenso é a única garantia
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