Segundo o portal Variety, “NAZA”, novo documentário dos codiretores israelenses de Sem Chão (No Other Land, 2024), Yuval Abraham e Rachel Szor, foi aplaudido de pé por 24 minutos e meio em sua estreia no Festival de Cinema de Veneza, na quinta-feira (10).
Trata-se da maior ovação já registrada em Veneza, superando os 22 minutos de A Voz de Hind Rajab (The Voice of Hind Rajab – 2025), no ano passado, e possivelmente, a mais longa da história dos grandes festivais de cinema. Com o encerramento da edição neste sábado, o feito se consolida como o grande destaque do evento.
Jonathan Glazer, diretor do aclamado *Zona de Interesse* (vencedor do Oscar) e produtor executivo do longa, comemorou entusiasticamente ao lado dos diretores. Durante os aplausos, Abraham e Szor demonstraram visível emoção, compartilhada por uma plateia na qual algumas pessoas empunhavam bandeiras da Palestina.
De acordo com a sinopse oficial, “NAZA” detalha “os sistemas por trás do assassinato em massa calculado de civis palestinos em Gaza por parte de Israel”. Gravado em segredo durante a noite em terraços de Tel Aviv, a obra traz depoimentos reveladores de 24 oficiais de inteligência militar e soldados israelenses. O título faz referência à sigla para “dano colateral”, termo usado pela inteligência militar israelense para estimar a quantidade de civis mortos em cada ataque aéreo.

O documentário entrou na competição de Veneza de última hora, um mês após o anúncio da seleção oficial em julho. Em coletiva de imprensa realizada na quinta-feira, os diretores explicaram que a inclusão tardia ocorreu porque a pós-produção do filme, desenvolvida ao longo de três anos, só foi concluída recentemente.
Abraham e Szor também codirigiram “Sem Chão”, ao lado dos cineastas palestinos Basel Adra e Hamdan Ballal, obra vencedora do Oscar de Melhor Documentário em 2025, que retrata as remoções forçadas de palestinos no sul da Cisjordânia.
Em entrevista à *Variety* antes da estreia, Abraham declarou: “Como israelenses, sentimos a responsabilidade de usar nosso acesso a pessoas da nossa própria sociedade para examinar esse sistema enquanto ele executa o que organizações de direitos humanos classificam como genocídio”.
Único documentário em longa-metragem na mostra competitiva deste ano, o filme é produzido pelo jornal britânico *The Guardian* e por James Wilson (JW Films), com produção executiva de Jonathan Glazer. Wilson e Glazer repetem a parceria de sucesso responsável pelo premiado *Zona de Interesse*.
Na edição anterior do festival, A Voz de Hind Rajab, da diretora tunisiana Kaouther Ben Hania — sobre a morte de uma menina de 6 anos e sua família em Gaza —, havia sido aplaudido por 22 minutos. Ben Hania integra o júri deste ano, presidido por Maggie Gyllenhaal, que anunciará os vencedores neste sábado.

