Edilson Takahara, de 49 anos, natural do Paraná, pedreiro desde 2010, recebeu uma bolsa integral no curso de Direito em uma universidade de Manaus, cidade em que reside atualmente.
Tudo começou quando o caso repercutiu na internet após a divulgação do vídeo da sua sustentação oral no Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região durante o julgamento de um processo trabalhista. Sem advogado, ele fez a defesa da própria causa por cerca de dez minutos. Além de ser elogiado, os magistrados ainda comentaram que Takahara poderia até mudar de profissão.
Logo em seguida, foi convidado para participar de uma conversa com alunos do curso de Direito de uma universidade, e foi contemplado com uma bolsa de estudos.

Em entrevista para O Globo, ele contou que sempre foi um aluno dedicado: “Não posso dizer que era o melhor da turma, mas sempre me esforcei para tirar boas notas. Nunca matei aula e, muitas vezes, meus colegas até brigavam para me ter nos grupos de trabalho.”
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Filho de agricultores que, em busca de melhores condições de emprego, se mudaram para Limeira, em São Paulo, Takahara concluiu os estudos aos 17 anos e fez três cursos técnicos: Nutrição, Mestre de Obras e Agropecuária.
Com o curso de Mestre de Obras, começou a trabalhar como pedreiro: “escolhi (o curso de Mestre de Obras) porque, em todo lugar, se precisa de um pedreiro. Sabia que emprego não ia faltar. Eu sabia que esse conhecimento poderia me ajudar a garantir o sustento no futuro”, comentou.
Antes de exercer a profissão, trabalhou em diversas funções e diferentes lugares. Em 2023, mudou-se de Limeira para Manaus para acompanhar sua esposa, e começou a atuar numa empresa de construção. Certo dia, os trabalhadores foram informados que a empresa deixaria de prestar serviços para o condomínio, mas eles receberiam a rescisão. Porém, os compromissos assumidos não foram cumpridos: “Tentei negociar por cerca de dois meses antes de entrar na Justiça. Foram umas quatro tentativas de acordo, e a resposta foi que a questão seria resolvida no tribunal, e toda essa história começou.”
Em 2024, ele contratou um advogado para ajuizar a ação, no entanto, não obteve retorno e o processo foi extinto. Dessa forma, ele resolveu atuar na própria causa: “Como eu sabia que tinha o direito de exercer o jus postulandi, que permite à própria parte reclamar e acompanhar o processo na Justiça do Trabalho sem advogado, decidi ajuizar a ação sozinho.”
Depois de audiências e tratativas, a empresa foi condenada a pagar todos os direitos e a reconhecer o vínculo empregatício. Entretanto, a parte recorreu após a primeira sentença: “Foi a partir daí que começaram as dificuldades, porque eu não sabia absolutamente nada sobre os procedimentos que são normais em um processo. Quando eles entraram com o recurso, comecei a pesquisar sobre o assunto. Usando inteligência artificial e fazendo pesquisas no Google, fui descobrindo o que eu precisava fazer.”
Em meio a dificuldades, comprou um computador, pesquisou, estudou e aprendeu sobre os trâmites como protocolar e acompanhar o processo: “Foi um aprendizado aos trancos e barrancos, e tudo em cima da hora. Não cheguei a ler a CLT toda, vi apenas os artigos que interessam para o meu caso. Fiz essas pesquisas, acho que desde o final de 2024 até março de 2025, dedicando ao todo umas cem horas de estudo no total, conciliando com os bicos de pedreiro que eu tinha.”
De um problema que jamais imaginaria resolver sozinho, ele obteve bons resultados: “Hoje, olhando pra minha história, a maioria das pessoas diria assim: “Ah, mas isso deu muito trabalho. Eu não tenho essa paciência”. Mas isso prova que todo conhecimento se transforma em resultado. O aprendizado é útil o tempo todo“, concluiu o pedreiro.

