Aos 85 anos, Ney Matogrosso mantém em Saquarema, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, uma propriedade de aproximadamente 140 hectares que se tornou muito mais do que um refúgio particular. Parte significativa do terreno é dedicada à preservação da Mata Atlântica e à reabilitação e soltura de animais silvestres.
Cerca de 80 hectares da propriedade estão protegidos por duas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), categoria de unidade de conservação criada voluntariamente em áreas particulares. A RPPN Mato Grosso possui 26,11 hectares, enquanto a RPPN Reserva Mato Grosso II tem 53,51 hectares. Juntas, as duas áreas somam 79,62 hectares, o equivalente a mais da metade de toda a propriedade.
A primeira reserva foi reconhecida pelo Ibama em 2001. A Portaria nº 72, publicada naquele ano, reconheceu 26,11 hectares da Fazenda Mato Grosso como RPPN “em caráter de perpetuidade”. O registro oficial do ICMBio também confirma a existência da RPPN Mato Grosso, em Saquarema.
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A proteção por meio de uma RPPN é permanente: a área continua destinada à conservação mesmo que a propriedade seja transferida para outro proprietário no futuro. Dessa forma, a iniciativa cria uma garantia de longo prazo para a preservação da vegetação e da biodiversidade existente no local.
A propriedade também desempenha um papel importante na proteção da fauna. Desde 2015, o sítio recebe animais silvestres resgatados que passam por processos de tratamento e reabilitação antes de serem devolvidos à natureza. O trabalho é realizado em parceria com o Instituto Vida Livre, organização dedicada ao resgate, recuperação e reintrodução de animais silvestres.
Segundo informações divulgadas pelo próprio projeto e por veículos que acompanharam a iniciativa, mais de 10 mil animais já foram devolvidos à natureza na propriedade. Entre eles estão capivaras, tamanduás, lontras, gambás, corujas, gaviões, cobras e tartarugas.
A área possui ainda nascentes, fontes de água e é cortada pelo Rio Mato Grosso. Recentemente, o local voltou a chamar atenção depois que a cantora Marisa Monte acompanhou Ney na soltura de uma preguiça-de-três-dedos que havia passado por reabilitação.
A propriedade, adquirida pelo cantor na década de 1990, acabou se transformando em um espaço de conservação da Mata Atlântica e de proteção da fauna. Mais do que preservar uma área verde durante sua própria vida, Ney Matogrosso estabeleceu uma forma de garantir que quase 80 hectares permaneçam protegidos também para as próximas gerações.

