Fundação José Saramago emite carta questionando critérios de retirada do autor das leituras obrigatórias do ensino em Portugal

A Fundação José Saramago manifestou-se sobre a proposta de alteração das leituras obrigatórias para o ensino nas escolas portuguesas, defendendo uma abordagem inclusiva que evite oposições entre autores consagrados da literatura portuguesa.

Em comunicado divulgado pela instituição, presidida por Pilar del Río, esposa de Saramago, a fundação afirma que sua posição será “sempre a de agregar e de não colocar em comparação ou oposição”. Nesse sentido, sugere à comissão responsável pela revisão curricular a substituição da conjunção “ou” por “e”, permitindo a presença simultânea de José Saramago e Mário de Carvalho no programa.

Imagem: reprodução/ Internet

“A posição da Fundação José Saramago será sempre a de agregar e de não colocar em comparação ou oposição. Daí que deixemos à Comissão responsável por esta alteração na lista de livros de leitura obrigatória para o 12.º ano a sugestão de trocar a palavra ‘ou’ pela palavra ‘e’, juntando a José Saramago o escritor Mário de Carvalho, merecedor de toda a admiração e abrindo assim a porta a que outras e outros escritores participem também na formação das novas gerações de leitores.”

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A proposta surge no contexto da revisão das aprendizagens essenciais do ensino secundário. Até então, os alunos deveriam escolher entre duas obras de Saramago: Memorial do Convento ou O Ano da Morte de Ricardo Reis para o estudo do gênero romance. Com a alteração, passa a ser incluída como alternativa a obra Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde.

Apesar da sugestão conciliadora, a fundação levanta questionamentos sobre os critérios que orientaram a mudança. Em particular, questiona se a revisão poderá afetar outros autores do cânone da literatura portuguesa, eventualmente reclassificando obras obrigatórias como apenas sugeridas.

A posição da instituição reforça a importância de ampliar o contato dos estudantes com diferentes vozes literárias, sem, contudo, diminuir o papel de autores fundamentais na formação cultural e educacional.

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