Enfim, Mario Quintana ganha uma cadeira na Academia Brasileira de Letras

Mario Quintana é um dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos. Mas ser grande não significa que ele quis ser global, pelo contrário. Em vez de ir morar nas metrópoles da época, Rio e São Paulo, optou por passar a vida em Porto Alegre, de onde era visto caminhando, sentado pelas praças e trocando palavras gentis com os passantes da cidade.

Quintana já foi faz tempo, morreu próximo do dia da chegada do corpo de Ayrton Senna o Brasil, o que ofuscou um pouco as notícias de sua morte. Ele tinha 87 anos e partiu de insuficiência cardíaca e respiratória em Porto Alegre. Com 26 livros publicados e mais de 130 obras da literatura mundial traduzidas, ele finalmente foi reconhecido pela Academia Brasileira de Letras (ABL).

Surpreendentemente, em vida, tentou ingressar três vezes sem sucesso e recusou uma quarta disputa contra figuras políticas. Agora, a ABL criou a cadeira 41, além das 40 tradicionais, para homenagear grandes escritores que não integraram a instituição. No mês passado, o renomado poeta gaúcho de Alegrete, considerado por muitos o maior do Brasil, ocupou essa cadeira.

O anúncio foi feito pelo presidente da ABL, Merval Pereira, durante o programa Coonline (episódio 71 no YouTube), onde também discutiu os 100 anos do jornal O Globo, o jornalismo e a política brasileira atual.

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Mario Quintana admitiu, em vida, que não tinha paciência para chás e visitas em busca de votos. Preferia o café preto, quindim e um cigarro no bar da Dona Maria, no Correio do Povo, onde trabalhou. Agora, falecido há tanto tempo, recebe uma significativa homenagem – que, se estivesse vivo, talvez rejeitasse. Também evitava viagens.

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“Tímido nas ruas, mas nunca na poesia”, Quintana parecia, à primeira vista, reservado ou até antipático.

Na Praça da Alfândega, onde era frequente, ignorava quem se aproximava para sentar ao seu lado, com raras exceções. Sentado, parecia absorto, perdido em pensamentos, provavelmente criando os versos que eternizaria. Hoje, uma estátua sua, ao lado de Carlos Drummond de Andrade, marca sua presença naquele lugar.

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