Editora de Curitiba cancela prêmio após inscrições de obras feitas por IA: “difícil acreditar que a obra seja humana”

A Editora Kotter, sediada em Curitiba, decidiu cancelar a edição de 2025 do “Prêmio Kotter” após identificar que muitas das obras inscritas foram geradas por Inteligência Artificial (IA). O anúncio, feito nas redes sociais da editora, gerou polêmica, principalmente entre os participantes do concurso.

Em comunicado, a editora justificou a decisão: 

“Diante do nosso compromisso com a integridade literária e da impossibilidade de confirmar com total segurança a autoria humana das obras recebidas, optamos pelo cancelamento deste ano. Estamos avaliando como adaptar o concurso para os novos desafios impostos pela IA e agradecemos a todos pelas centenas de inscrições.”

O Prêmio Kotter, que teve sua primeira edição em 2024, busca destacar obras inéditas nas áreas de literatura, filosofia e política. Segundo Salvio Kotter, fundador da editora, cerca de 900 trabalhos foram inscritos este ano, com aproximadamente 40 apresentavam sinais claros de terem sido produzidos por IA. Ele comentou que chegou a encontrar marcas deixadas pelas próprias ferramentas, enquanto outros 60 textos levantavam suspeitas.

Kotter explicou que a avaliação é complexa. Alguns textos podem ter sido apenas revisados por IA, enquanto outros exibem características mais evidentes, como:

  • Perfeição formal em obras de baixo valor literário (ortografia, gramática e sintaxe impecáveis);
  • Uso de termos incomuns em português, mas frequentes em inglês (já que muitas IAs “pensam” em inglês);
  • Regularidade excessiva no texto, sem variações de ritmo ou profundidade.

“Quando vários desses indícios se somam, fica difícil acreditar que a obra seja humana”, afirmou.

A editora agora estuda como reformular o concurso para evitar problemas futuros, incluindo critérios mais claros no próximo edital. Kotter citou o caso de um prêmio literário no Japão, em que uma autora vencedora admitiu usar o ChatGPT, como exemplo dos desafios enfrentados.

“O avaliador fica em uma situação delicada: teme desclassificar um trabalho legítimo ou, pior, premiar um texto de IA”, concluiu.

A expectativa é que o prêmio retorne em 2026, com regras adaptadas à era da IA.

Fonte

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