Tudo é cor: a incrível e lúdica arte de Lorena Deluiz

Não sei se a primeira vez que entrei em contato com a Lorena Deluiz foi num vídeo sobre patins ou já sobre sua arte. Nem sempre, o algoritmo nos oferece logo de cara aquilo que procuramos, não é? Acontece que logo em seguida pulou diante de mim as cores e as formas de seu trabalho. Sem entender se eu estava em um mundo mágico ou se era a cidade que tinha se tornado mágica, resolvi procurar mais daquilo que me chamava atenção.

Eis que estava adentrando no mundo mágico de Lorena Deluiz, artista visual e designer do Rio de Janeiro, e sua obra absolutamente lúdica, criativa que olha o cotidiano e mistura tudo ali na hora de pintar. Alguns poderiam ver uns traços voltados para o público infantil, mas eu discordo: o mundo lúdico também pode ser adulto e acho que Lorena traduz isto de forma surpreendente. E ela parece corroborar comigo quando diz que “ama criar realidades divertidas e brincar com formas, cores e inspirações.” Além disso, ela acrescenta um elemento:

“Música me inspira demais, então muitas vezes tenho ideias curiosas ouvindo um artista e assim novas pinturas e ilustrações surgem. Uma menina com flores saindo do ouvido?”, completa.

Como costumo fazer quando encontro uma artista que gosto, procurei para fazer uma matéria aqui pro site e pedi umas obras para apresentarmos aqui pro público. Confira:

– Olá, Lorena! Primeiro de tudo, gostaria de agradecer você aceitar conversar com a gente, fiquei muito feliz de receber sua resposta. A primeira coisa que gostaria de contar é que conheci o seu trabalho porque ele pulou na minha retina. Entre tantas coisas que vemos na internet, ele se destacou. Pergunto: Como foi o processo até chegar a essa estética atual?

Muito obrigada pelo convite e gentileza! Fico muito feliz em saber que meu trabalho te inspirou!

Durante os anos 00’ passei minha adolescência assistindo videoclipes na MTv, fascinada por toy arts e observando o lado alternativo da moda e cultura. Era como se eu estivesse colecionando referências pra usar um dia, porque vejo que meu estilo reflete o que a Lorena mais nova amava e sonhava em ser. Durante a pandemia eu me permiti experimentar com cores e embarcar fundo nas artes, sendo esse meu ofício e meu maior sonho!

– Dá pra ver que em suas obras você não economiza colorido. E as cores vão se espalhando, se acumulando e se sobrepondo sobre a tela. Hoje, como você definiria a sua arte?

Eu gosto muito de criar artes que tragam um sentimento de alegria e contagiem quem a observa! Muitas vezes a arte foi meu grande refúgio, me trazendo sentimentos bons que às vezes era difícil de encontrar pelo que eu vivia. Uso minha arte pra trazer alegria pra mim e pra todos que se conectam com ela, pra que a vida seja colorida por dentro e por fora!

– Um peixe de boné, um pássaro, patos, um leitinho sorridente. O que te encanta nas coisas? Tudo ganha uma antropomorfização meio lúdica nos seus traços, né? O que você vê nas coisas do mundo pra transformá-las em arte? Cores? Formas? Seu uso?

Eu amo criar realidades divertidas e brincar com formas, cores e inspirações. Música me inspira demais, então muitas vezes tenho ideias curiosas ouvindo um artista e assim novas pinturas e ilustrações surgem. Uma menina com flores saindo do ouvido? E se eu fizesse a caixinha de leite do clipe “Coffee and Tv”,  do Blur, no meu estilo? E se eu juntasse vários personagens divertidos em uma tela, misturando cores e formas como uma festa? Tudo é possível dentro de um fluxo divertido de criatividade.

– Uma coisa que me chamou muito atenção nas suas artes (e pode falar que não se foi burrice) é uma espécie de “canteiro” de objetos. Você coloca meio que um “fundo” de algumas folhas, sobrepõe isso com elementos urbanos, aí coloca mais uma coisa e, por fim, vem o objeto em primeiro plano. Existe algum motivo/objetivo pra isso?

Quase não reparo nessa característica! É como se as artes estivessem “flutuando” não é? Talvez seja um reflexo da minha cabeça, que está sempre nas nuvens!

– E você já pintou em quadra de esporte, em muro, em um tênis gigante, em um carro…Qual a plataforma mais estranha que você já pintou e qual foi a mais desafiadora?

As plataformas mais desafiadoras foram os pedalinhos da Lagoa Rodrigo de Freitas, pois eram muitas possibilidades em uma estrutura flutuante! Já a mais estranha, tirando as mencionadas, foram as pistas de skate e obstáculos onde eu costumo andar de patins! Gosto muito de fazer graffiti em lugares que eu possa fazer manobras e acho mega divertido poder interagir com uma pintura sob rodinhas!

– Para finalizar, o que você gostaria que o público visse nas obras?

Espero que as pessoas vejam minhas artes e se sintam uma sensação positiva, seja ela qual for! Vivemos uma vida extremamente colorida e curiosa, cada cantinho das ruas tem arte. A arte transformou minha vida inteira, obrigada pelas perguntas tão espirituosas e divertidas!

Confira mais algumas obras da artista:

Related posts

Quem são os “Barbatuques”: grupo de percussão corporal que transformou a arte educação no Brasil?

5 livros para celebrar a vida e a obra de Frida Kahlo!

Conheça Rezende, o homem por trás do consagrado Instituto Candelaio