Uma triste notícia para o cinema brasileiro. Morreu nesta quarta-feira (22), aos 98 anos, o cineasta Luiz Carlos Barreto, um dos nomes mais importantes da história do cinema brasileiro.
Conhecido carinhosamente por parentes e amigos como “Barretão”, Luiz Carlos dedicou mais de 60 anos ao audiovisual nacional. Entre as dezenas de obras que produziu ou dirigiu estão grandes sucessos de bilheteria como “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, “O Quatrilho” e “O Que É Isso, Companheiro?”.
Ele estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, no Rio de Janeiro, tratando uma infecção pulmonar causada por pneumonia. Segundo a filha Paula Barreto, a saúde dele vinha se agravando desde 2024, quando sofreu uma queda durante uma viagem ao Ceará.
“O cinema é uma coisa útil, e não uma coisa fútil”
O velório está marcado para esta quinta-feira (23), às 11h, no Palácio da Cidade, em Botafogo. Depois da cerimônia, o corpo será cremado no Memorial do Caju. Barreto era casado há 71 anos com a produtora Lucy Barreto. Deixa três filhos (dois vivos), nove netos e oito bisnetos.
Quem foi Luiz Carlos Barreto?

Luiz Carlos Barreto Borges nasceu em 20 de maio de 1928, em Sobral, no Ceará. Jornalista, fotógrafo e cineasta, mudou-se para o Rio de Janeiro em 1947 e tornou-se repórter e fotógrafo da prestigiosa revista O Cruzeiro, onde atuou como correspondente internacional na Europa. Formou-se em Letras pela Sorbonne, em Paris.
Sua entrada no cinema ocorreu em 1962, como co-roteirista e co-produtor de Assalto ao Trem Pagador, grande sucesso de público e crítica. Tornou-se um dos pilares do Cinema Novo, assinando a fotografia de obras fundamentais como Vidas Secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos, e Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha.
Ao lado da esposa Lucy Barreto, fundou a L.C. Barreto Produções, uma das mais importantes empresas do audiovisual brasileiro, com mais de 70 filmes produzidos. Entre seus destaques estão Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), Bye Bye Brasil (1980), O Que É Isso, Companheiro? (1997) e Brasil Ano 2000 (Urso de Prata em Berlim).
Pai dos diretores Bruno Barreto e Fábio Barreto, e de Paula Barreto, Luiz Carlos Barreto recebeu a Ordem do Mérito Cultural e o Troféu Oscarito. Aos 98 anos, segue como uma das figuras mais respeitadas e influentes da história do cinema nacional.

