Depois de conquistar leitores com Sotaque Ambulante, livro em que a migração aparece como experiência corporal, afetiva e linguística, a escritora, professora e pesquisadora argentina-brasileira Jorgelina retorna com uma nova obra que aprofunda sua investigação poética sobre deslocamento, pertencimento e linguagem. Em Traduções imperfeitas do portunhol, publicado pela Editora Urutau, 2026, a autora transforma o portunhol, tantas vezes marginalizado ou tratado como “erro”, em matéria literária sensível e profundamente política.

O novo livro nasce das zonas de contato entre português e espanhol, mas vai além da mistura de idiomas. A obra propõe uma reflexão sobre o que significa habitar uma língua quando se vive entre países e identidades em trânsito. Em seus poemas, o portunhol deixa de ser apenas um fenômeno linguístico da fronteira e se converte em território emocional, espaço de reinvenção e resistência.
Há, na escrita de Jorgelina, uma estética da travessia. Seus textos escorregam entre palavras, inventam ritmos híbridos e constroem uma poética própria, marcada pela oralidade, pela memória migrante e pela experiência feminina. Em tempos de discursos rígidos sobre identidade e pertencimento, Traduções imperfeitas do portunhol surge como uma obra necessária justamente porque desafia fronteiras fixas.
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Se em Sotaque Ambulante a autora cartografava afetivamente a experiência de migrar, agora ela radicaliza essa proposta ao colocar a própria língua em deslocamento, especie de manifiesto glotopolitico da linguagem. O resultado é um livro inovador dentro da literatura contemporânea latino-americana, capaz de dialogar com debates atuais sobre translinguagem, migração e cultura de fronteira. Ler os livros de poemas dea autora é compreender que o sotaque é memória; que misturar línguas não é deficiência, mas criação; e que migrar também pode ser uma forma de escrever e de habitar o mundo.
Com uma escrita potente e profundamente contemporânea, Jorgelina consolida sua voz no campo da literatura de migração e de fronteira na América Latina e em especial na regiao da fornteira trinacional.

Sobre a autora:
Jorgelina Tallei, é professora, escritora, ativista social e pesquisadora. É fronteiriça, mora em Foz do Iguaçu. Natural da Argentina e nacionalizada brasileira, mora no Brasil há mais de vinte anos. Autora dos livros infantis “A língua de todos e a língua de cada um” (2022), “A menina que falava o portunhol” (2024), e do livro de poemas “Poemário da fronteira” (2023). Escreve em portunhol, misturando as línguas, o espanhol e o português, uma “língua” de fronteira que reflete a identidade imigrante. É doutora em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mestre em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e graduada em Letras pela Universidade Nacional de Rosário, na Argentina. É docente da área Letras e Linguística na Universidade Federal da Integração Latino-americana, a UNILA, na cidade de Foz do Iguaçu.

