O termo “gari”, que designa os profissionais de limpeza urbana no Brasil, tem uma origem inusitada e remonta ao final do Império Brasileiro.

Tudo começou em 11 de outubro de 1876, no Rio de Janeiro, então capital do país. O empresário francês Pedro Aleixo Gary, radicado no Brasil, assinou o primeiro contrato oficial com o governo imperial para organizar o serviço de limpeza pública da cidade. Sua empresa, Aleixo Gary & Cia, foi responsável pela remoção de lixo das casas, ruas e praias, introduzindo um sistema mais estruturado: horários definidos, carroças e uniformes para os trabalhadores.
Os funcionários da companhia ficaram conhecidos popularmente como “os homens do Gary”, “a turma do Gary” ou simplesmente “os garys”. Com o tempo, o sobrenome do francês virou sinônimo da profissão. Após a reforma ortográfica da língua portuguesa, que substituiu o “y” pelo “i”, o termo se consolidou como “gari” e entrou para o dicionário como nome oficial dos varredores e coletores de lixo.
Antes da chegada de Gary, a limpeza das vias públicas era precária e não havia um serviço organizado. Ele trouxe da Europa conceitos mais modernos de higiene urbana, que na época ainda eram novidade no Brasil.

O modelo implantado por Aleixo Gary influenciou outras cidades e marcou o início da profissionalização da limpeza urbana no país. Seu contrato durou até 1891, quando a empresa foi extinta e o serviço passou para a administração pública.
Hoje, mais de 145 anos depois, milhões de brasileiros continuam sendo chamados de garis — uma homenagem involuntária, mas eterna, ao empreendedor francês que “batizou” a profissão.
Incrível como um sobrenome estrangeiro virou palavra tão brasileira, não é?

