O filme brasileiro “Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha”, estreia em longa-metragem da cineasta cearense Janaína Marques, conquistou o prêmio alemão Tagesspiegel Readers Jury Award na seção Forum da 76ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim (Berlinale), que terminou recentemente. A diretora expressou grande emoção ao receber a distinção: “Estou imensamente feliz; é muito emocionante ver um filme tão íntimo se conectar com o público em um festival tão especial como o de Berlim.
O Forum é um espaço que acolhe obras autorais e arriscadas, e ser reconhecida ali tem um significado muito especial para mim”. Ela dedicou o prêmio à equipe inteira, destacando a entrega, sensibilidade e coragem de todos os envolvidos. Para Marques, a obra fala sobre atravessar a memória para reinventar o presente, transformar ausência em movimento e acreditar na possibilidade de lançar um “foguete mágico” que entrelaça mulheres. Produzido pelas cearenses Delírio Filmes e Moçambique Audiovisual, o longa é descrito como uma jornada interior que mescla o real e o imaginado, configurando-se como um road movie do inconsciente.
Leia mais: Rosa Caldeira, cineasta trans e favelado, tem filme selecionado para o Festival de Berlim

Pablo Arellano, Maurício Macêdo, Luciana Souza, Janaína Marques, Verônica Cavalcanti, Patricia Passos, Xenia Rivery, Isabela Veras e Ivo Lopes Araújo
Nele, a imaginação atua como ferramenta de sobrevivência e reconciliação. A seção Forum da Berlinale é tradicionalmente dedicada a filmes de liberdade estética e experimentação formal.
O produtor Maurício Macêdo ressaltou a relevância estratégica da premiação na Berlinale, que impulsiona a carreira internacional do filme e antecede o lançamento comercial no Brasil, já confirmado para setembro de 2026, com patrocínio do BNDES. A conquista reforça o bom momento do cinema cearense e brasileiro no circuito internacional, com “Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha” sendo um dos destaques da edição de 2026.

Sobre o filme:
FIZ UM FOGUETE IMAGINANDO QUE VOCÊ VINHA se desenvolve como um retrato íntimo de uma mulher convocada a revisitar sua própria história quando já não consegue se reconhecer nela. Diante da dificuldade de acessar uma memória feliz, a protagonista Rosa (vivida por Verônica Cavalcanti) mergulha numa busca interior que se torna a própria narrativa do longa. Entre o real e o imaginado, a realidade começa a ceder espaço ao sonho, ao delírio e à memória, uma jornada íntima em que Rosa reencontra a mãe (interpretada por Luciana Souza) e a transforma em parceira de estrada.
Para Marques, nascida em Brasília, mas criada no Ceará, essa jornada é, antes de tudo, um gesto de sobrevivência. Incapaz de acessar lembranças felizes, Rosa cria seus próprios caminhos, e a viagem com a mãe ganha um caráter sensorial, íntimo e restaurador.
Veja o trailer completo:

