“Não foi nada.” Às vezes, dizemos isso antes mesmo de descobrir o que aconteceu dentro de nós. Em “Quem Me Escuta? Quando sentimentos tentam falar com a gente”, do casal de psicólogos Guilherme Lopes e Eloisa Dib, um sentimento amplo ganha voz e tenta ser escutado.

Inspirado no livro “A Parte que Falta”, o grande diferencial está em não apresentar uma emoção específica nem dizer ao leitor o que e como deveria sentir. O livro abre espaço para uma descoberta: estamos sempre sentindo, mas nem sempre olhamos para o que sentimos com a devida delicadeza e compreensão. Talvez exista dentro de nós uma raiva misturada com ansiedade quando queremos muito algo que ainda não aconteceu, ou mesmo uma mistura de felicidade e tristeza diante de um prêmio de segundo lugar. Reconhecer que existem sentimentos amplos, ainda sem nome e sem descrição, pode nos ajudar a nos escutar com mais atenção, sem buscar encaixar o que sentimos em significados prontos.
Essa proposta pode mudar a maneira de perceber a vida cotidiana. Uma irritação que parecia pequena, um silêncio depois de um dia difícil ou a vontade de dizer “está tudo bem” podem ganhar outro sentido quando paramos para escutar o que se passa por dentro.
A leitura dialogada entre crianças e adultos torna esse convite compartilhado. Uma pergunta simples pode abrir a conversa sobre o livro e convidar os adultos a estarem presentes para ouvir a resposta, que pode vir aos poucos, talvez dias depois. Perguntar o que aquele sentimento procura comunicar é uma forma de acompanhar a história e acolher as interpretações da criança.
“Quem Me Escuta?” pode ajudar a criar o hábito de fazer uma pausa antes de negar, minimizar ou chamar de “nada” o que sentimos. Nesse momento, cabe perguntar o que está acontecendo dentro de nós e considerar que isso talvez ainda não tenha um nome. Essa pequena prática de atenção pode acompanhar os leitores, adultos e crianças, para além da última página.
Compre o livro na Amazon ou diretamente com os autores aqui!

