Criada por Sophia Ganeff e Ícaro Leite, plataforma nasce para reunir leitores, autores e creators em
torno da experiência literária
A leitura continua sendo um hábito relevante no Brasil, mas a conversa sobre livros já não cabe em um único lugar. Em meio a redes sociais, grupos de mensagens e perfis de indicação, a experiência literária se espalhou — e, ao mesmo tempo, ganhou força. É nesse contexto que nasce o Sagarana, nova plataforma social dedicada à literatura e pensada para reunir leitores, autores e creators em torno do que acontece depois que o livro fecha.

A proposta do Sagarana parte de uma observação simples: as pessoas já comentam livros, recomendam leituras, discordam de finais e compartilham opiniões sobre autores nas redes. O que faltava era um espaço construído exclusivamente para essa troca. A plataforma quer ocupar exatamente esse território, transformando leitura em conversa, recomendação, avaliação e descoberta.
“Percebemos que a literatura já vive na conversa das pessoas, mas essa conversa ainda está espalhada em vários lugares. O Sagarana nasce para organizar esse movimento em um espaço feito para quem lê, para quem escreve e para quem indica livros”, diz Sophia Ganeff, escritora, vencedora do Prêmio LOBA 2025 e apontada como a mais jovem finalista da história do Prêmio Jabuti.
Aos 20 anos, Sophia tornou-se a mais jovem finalista da história do Prêmio Jabuti com As Vozes da Minha Cabeça, obra finalista da edição de 2023. É também autora de Tô Zoando — Com Muita Verdade, de Entrelinhas, publicado em outubro de 2025, e Pague Após o Resultado, lançado em setembro de 2026. Além da escrita, é estudante de Direito, colunista da revista O Odisseu e fundadora do Clube da Página 20.
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A relação de Sophia com a literatura, no entanto, não se limita à escrita. Por meio do Clube da Página 20, ela também passou a criar espaços de encontro entre leitores. O nome do clube parte justamente da ideia de que existe um momento inicial da leitura em que muitos leitores podem abandonar um livro — e que criar uma razão para continuar pode ser tão importante quanto a própria escolha da obra.
“Acho que a Página 20 nasceu dessa vontade de fazer a leitura continuar. Não queria falar apenas sobre o livro que as pessoas estavam lendo, mas criar um espaço em que elas tivessem vontade de continuar lendo, conversando e descobrindo outras histórias.”

Essa experiência ajudou a consolidar uma percepção que hoje está no centro do Sagarana: a literatura não termina quando o leitor fecha o livro. Ela continua na conversa, na recomendação, na discordância, na memória e na troca com outras pessoas.
“Ao longo da minha trajetória, fui percebendo que uma das partes mais essenciais da literatura é o que vem depois de ler. É quando você quer contar para alguém, discutir um personagem, recomendar aquela história ou descobrir o que outra pessoa sentiu lendo a mesma coisa.”
Ao lado dela está Ícaro Leite, executivo do mercado financeiro, investidor e professor do IBMEC São Paulo. Juntos, eles estruturaram a proposta do Sagarana a partir de uma percepção de mercado: embora a leitura siga presente na rotina de milhões de brasileiros, ainda não existe um ambiente digital desenhado especificamente para o diálogo entre leitores e autores. “A ideia não era criar mais uma rede social com um cantinho para livros.”
A oportunidade estava em construir um lugar onde a literatura fosse o centro da experiência”, afirma Ícaro. No Sagarana, o usuário poderá registrar leituras, avaliar livros, comentar, seguir autores, acompanhar curadorias e compartilhar a própria experiência de leitura. A plataforma também pretende dar espaço para creators literários e para conteúdos que nascem da comunidade, com a ambição de transformar o que é vivido dentro do app em matéria de conversa fora dele.
A aposta da plataforma também se apoia no comportamento atual do público leitor: segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil 2024, 47% da população de 5 anos ou mais é considerada leitora; 25% dizem ler livros de literatura; e a internet já ocupa boa parte do tempo livre dos entrevistados, com 78% de menções.
Para os fundadores, isso confirma que a leitura continua viva, mas pede um espaço próprio para ganhar nova forma na era digital.
Sagarana nasce, portanto, com uma tese clara: a literatura não termina na última página. Ela continua na conversa, na recomendação, na avaliação e na troca entre pessoas que leem.
Acesse a plataforma aqui: https://www.sagarana.com.br/

