O escritor francês Édouard Louis, que esteve recentemente no Brasil para apresentar o seu espetáculo “História de Violência”, publicou um artigo no jornal Folha de S. Paulo, afirmando que, se Flávio Bolsonaro for eleito, “tentará apagar uma liberdade que existe em poucos países”.
O autor sublinha ainda que, apesar das limitações do seu conhecimento sobre o país, “eu sei de uma coisa: tudo que eu vi nas minhas viagens ao Brasil, tudo que testemunhei, tudo que constitui a beleza, a força e a singularidade desse país, Bolsonaro quer destruir. A sublime e misteriosa floresta amazônica, sem a qual a humanidade não pode sobreviver, e graças à qual o oxigênio do planeta é respirável, e que Flávio Bolsonaro, assim como o seu pai fez antes dele, quer devastar para vendê-la ao capitalismo mais destruidor”.

Nos seus livros, Louis parte da história trágica da própria família, das dificuldades da classe operária em França, e relata a exclusão social e a homofobia. No mesmo artigo, explica que Flávio Bolsonaro tentará dar “cada vez mais espaço ao fundamentalismo religioso, opondo-se aos direitos das pessoas transgênero, gays e lésbicas, como fez tantas vezes no Senado ao longo dos últimos anos”. Acrescenta ainda que o clã Bolsonaro “quer uma sociedade do medo, da violência, da prisão, do ódio, da polarização, do desmonte do Estado. Uma sociedade da família conservadora, da brutalidade, da ordem, da desigualdade, da reprodução das classes sociais, uma sociedade em que cada um permanecerá em seu lugar, enquanto o clã Bolsonaro continuará a enriquecer com seus esquemas de corrupção”.
O escritor francês termina o artigo pedindo aos brasileiros “que não tenham medo e que lutem no segundo turno das eleições. Estou com vocês”.
Além de Édouard Louis, Wagner Moura, Sônia Braga, Fernando Meirelles, Petra Costa, Rodrigo Teixeira, Alice Braga e Gabriel Mascaro estão entre os mais de 50 artistas que assinaram uma carta aberta em que pedem “atenção internacional rigorosa” para o segundo turno.
Fonte: Comunidade Cultura e Arte

