A HBO está produzindo uma nova série original inspirada na história da Democracia Corinthiana, movimento que marcou o futebol brasileiro nos anos 1980 e transformou o Corinthians em símbolo de resistência durante a ditadura militar.
Com oito episódios, a série acompanhará a trajetória de Sócrates, Casagrande, Wladimir e Adílson Monteiro Alves, figuras centrais do movimento que implementou um modelo inédito de gestão coletiva dentro do clube, permitindo que decisões importantes fossem votadas por jogadores, comissão técnica e funcionários, em um período em que o Brasil ainda vivia sob o regime autoritário.
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A série é criada por Moara Passoni, que também assina a direção ao lado de Maria Farkas. O roteiro é de Passoni e David Barker, dupla que trabalhou em Democracia em Vertigem (2019), documentário dirigido por Petra Costa e indicado ao Oscar. A direção geral será assinada por Aly Muritiba que dirigiu recentemente Barba Ensopada de Sangue (2024) e Cidade de Deus: A Luta Não Para (2024).
O projeto, desenvolvido em parceria da HBO com a Maria Farinha Filmes, ainda está em estágio inicial e procura seu elenco.
O que foi a Democracia Corinthiana?
Durante a ditadura militar, entre 1982 e 1984, jogadores como Sócrates, Casagrande e Wladimir lideraram no Corinthians o movimento conhecido como Democracia Corinthiana, que instituiu um modelo inovador de autogestão no clube. Nesse sistema, todos os funcionários tinham peso igual em decisões que iam desde contratações e escalações até regras internas, promovendo uma gestão horizontal. Esse novo formato teve impacto direto dentro de campo: após uma campanha ruim em 1981, o time se recuperou, chegando às semifinais do Campeonato Brasileiro e conquistando o Campeonato Paulista no primeiro ano do movimento.
A luta, porém, transcendia os limites do Parque São Jorge, e os jogadores passaram a militar ativamente pelo fim da repressão no país, participando do comício das Diretas Já e defendendo a aprovação da emenda Dante de Oliveira para eleições presidenciais diretas. Sócrates chegou a afirmar que ficaria no clube caso a emenda fosse aprovada, mas, com a frustração do plano, ele se transferiu para a Fiorentina, e Casagrande também deixou o time rumo ao São Paulo. A partir de 1985, com a derrota do sucessor indicado pelo presidente Waldemar Pires na eleição do clube, a Democracia Corinthiana foi se desfazendo, chegando ao fim.