Cansei de ser Partner”: peça reflete sobre o trabalho invisível da mulheres na sociedade

O espetáculo “Cansei de ser Partner” usa a comicidade para inspirar reflexões sobre as relações de gênero e o quanto as mulheres são colocadas como coadjuvantes ao longo da vida, ao se dedicarem aos bastidores da existência, sendo responsáveis pelo cuidado e até por trabalhos invisíveis e não remunerados que giram em torno do homem. 

Partner é um termo inglês que significa parceira ou parceiro. Alguém que, tanto no circo como na televisão, auxilia os artistas em suas apresentações. É a pessoa que prepara o terreno, que levanta a bola a ser cortada, que põe a mesa para o grande momento da celebração”, comenta o Bando Golíardis.

Fazendo uma analogia com a figura de “partner”, muito conhecida através do circo e dos programas de auditório brasileiros, com a dita “função social” das mulheres na sociedade, a montagem questiona o quanto a posição de partner é imposta ao gênero feminino ao longo da vida.

“Para além das conhecidas Paquitas, Chacretes e Panicats nesse Brasil afora, quantas mulheres são obrigadas a largar tudo para cuidar da comida do homem, da roupa do homem, da casa do homem, dos filhos do homem, e porque não do próprio homem”, explica o grupo.

“Cansei de ser Partner” joga luz à realidade de tantas mulheres com suas cargas invisíveis à sociedade, que seguem desvalorizadas por trabalharem no que, ignorantemente, consideramos os bastidores da vida. Aquelas que estão nas coxias preparando tudo para quando as cortinas se abrirem e o espetáculo começar, mas que ao final, não recebem os devidos aplausos. 

Leia também: “Por Elas – Um Musical sobre a força do canto feminino”: celebra a mulher dentro e fora dos palcos

O espetáculo coloca os homens como os herdeiros de Adam – analogia a Adão, o grande doador de costelas, que acabam ocupando lugares forjados por si próprios, buscando benefícios. 

“Parcerias são necessárias, mas é preciso refletir porque essa tal função ‘partner’ sempre é destinada apenas às mulheres que, além de tudo, são cobradas a serem bonitas, graciosas, não demonstrar os traços naturais do envelhecer, usar roupas que desenhem seus corpos”, finaliza o grupo. 

Veja um teaser do espetáculo aqui:

Ficha técnica – Concepção e dramaturgia: Bando Golíardis. Elenco: Dani Marin, Sabrina Motta e Tiago Cintra. Direção e preparação corporal: Marcelo Rôya. Preparação vocal e musical: Tiago Cintra. Cenógrafa e Figurinista: Laura Alves. Orientação em Bufonaria: Daniela Biancardi. Orientação em Pesquisa: Matheus Gonçalves. Composição – Música ‘Rotina Revolucionária’: Dani Marin e Otavio Correia. Trilha: Otávio Correia, Sabrina Motta e Tiago Cintra. Desenho de Som: Otavio Correa. Operação de som: Marcelo Rôya. Operação de Luz: Dida Genofre. Fotografia: Thais Lume. Produção local: Camila Scatena. Produção e realização: Bando Golíardis. Poema – A Importância do Pequeno-Almoço: Francisca Camelo. Assessoria de Imprensa: Luciana Gandelini. Arte Gráfica: Roberta Monteiro. 

Serviço: Estreia do espetáculo “Cansei de ser Partner”

Com Bando Golíardis

Grátis – Classificação etária: acima de 12 anos

Quando: 02 a 04 de fevereiro de 2024 – Horário: sexta-feira e sábado às 21h, domingo às 19h – Onde: Teatro Cacilda Becker – Endereço: R. Tito, 295 – Lapa, São Paulo

Quando: 15 a 17 de fevereiro de 2024 – Horário: quinta, sexta-feira e sábado às 20h – Onde: Teatro Flávio Império – Endereço: R. Prof. Alves Pedroso, 600 – Cangaiba, São Paulo

Quando: 20 a 22 de fevereiro de 2024 – Horário: terça, quarta e quinta-feira às 19h30h – Onde: Oficina Cultural Oswald de Andrade – Endereço: Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo

Quando: 23 a 25 de fevereiro de 2024 – Horário: sexta-feira e sábado às 20h, domingo às 18h – Onde: Centro Cultural da Diversidade (Antigo Teatro Décio de Almeida) – Endereço: Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo

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