Escolas no Canadá queimam livros infantis considerados racistas

O fato ocorreu em escola na cidade de Ontário, em 2019, e só veio à público recentemente. Foram destruídos mais de 5 mil livros, dentre eles “Pocahontas”, “Tintin” e “Astérix”.

O Conselho Escolar Católico de Providence, responsável pela administração diversas escolas canadenses, agora tem 5 mil livros a menos em seu acervo; tratam-se de livros infantis que foram considerados racistas, e por isso destruídos.

O fato foi tornado público há pouco tempo, quando a Rádio Canadá obteve acesso a um documento que descreve uma lista de 165 romances e histórias em quadrinhos que foram considerados racistas pela administração das escolas. Dentre esses títulos, alguns foram queimados no que foi descrito como um “ritual de purificação”.

“Pocahontas”, “Tintin” e “Astérix” foram algumas das obras que, por serem consideradas obsoletas, foram destruídas. Segundo o documento, o objetivo da ação era promover uma reconciliação com os povos indígenas do Canadá.

O tema tem ganhado mais visibilidade após a recente descoberta de mais de 1000 restos mortais de crianças indígenas encontrados em escolas católicas do país, evento que tem mobilizado os povos originários canadenses a demandar o reconhecimento, por parte da Igreja Católica, de que houve um genocídio contra esses povos.

O fato de livros terem sido queimados gerou discussões, após a publicização da destruição das obras. Conforme aponta reportagem da Folha, Suzy Kies, ativista indígena e uma das idealizadoras do projeto, afirmou que “as pessoas entram em pânico com o fato de se queimar livros, mas falamos de milhões de livros que têm imagens negativas dos indígenas, que perpetuam estereótipos, que são prejudiciais e perigosos”.

Capa: Imagem de Rafael Juárez por Pixabay

Related posts

Manuscritos de Luiz Gama podem ser reconhecidos pela Unesco como Patrimônio Documental Mundial

Justiça nega pedido do Escola Sem Partido para proibir livros que tratam de racismo e mantém lista de leituras da UFRGS

“Nau de Urano”: Matheus Nachtergaele e Bete Mendes mergulham na vida e no imaginário de um dos maiores nomes da poesia brasileira