Se você quer tirar uma comunidade da pobreza, empodere as mulheres desta comunidade.
A maior favela do Brasil fica em Brasília e se chama Sol Nascente. Lá se faz presente o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), cujos membros organizam ocupações e assentamentos e constroem casas uns para os outros. A luta não é só por moradia: é por direitos no sentido mais amplo da palavra.
Três mulheres do Sol Nascente são as protagonistas de “Não Existe Almoço Grátis”. Elas são responsáveis pela Cozinha Solidária da região, um projeto que alimenta quem tem fome sem pedir por nada em troca. Acompanhamos o trio nos últimos dias de 2022, que antecedem uma missão: cozinhar para parte do público que vem assistir à histórica posse do presidente Lula em primeiro de janeiro de 2023.

Enquanto cozinham numa escola, aparecem depoimentos das três mulheres, com pontos em comum como o histórico de trabalho infantil e o impacto positivo do MTST na vida delas e principalmente no modo de pensar. Com o movimento, aprenderam o que é sororidade e como lutar por direitos. No movimento, descobriram-se mais capazes e corajosas do que jamais imaginaram que eram. Aprenderam sobre o poder de uma família de luta, para além das famílias de sangue. Juntas são mais fortes.
Os diretores e roteiristas de montagem Pedro Charbel e Marcos Nepomuceno têm trajetórias diferentes, mas complementares. Nepomuceno estreia na direção de longas aqui, enquanto Charbel tem um projeto de cinema junto ao MTST. Sobre as escolhas narrativas, declaram:
“Costurando relatos íntimos ao registro vivo e em movimento da força da organização coletiva, o filme é um manifesto contra as máximas neoliberais da meritocracia, do individualismo e do lucro. Sua linguagem visual e sonora marca o contraste da desigualdade social no Distrito Federal, fazendo de Brasília uma personagem símbolo de injustiças a serem superadas. (…) Há um pacto profundo entre filme e movimento social, do qual emerge a possibilidade de um mergulho na realidade do maior movimento urbano da América Latina e nos laços de afeto e comunidade fundamentais para combater as estruturas injustas de nossa sociedade. Em ano eleitoral, o filme é um lembrete de que a luta deve ser diária”.

A música final declara que pessoas como as retratadas no documentário querem apenas uma vida boa, boa como a vida de outras pessoas. Ninguém deveria se sentir ofendido ou atacado quando outros simplesmente melhoram de vida. As mulheres são as que em geral propulsionam essa mudança de melhorar de vida dentro de suas comunidades, através do estudo, do cuidado e do combate às muitas formas de violência. Empoderar mulheres, dentro e fora das telas, é investir no futuro.
“Não Existe Almoço Grátis” chega aos cinemas em 03 de setembro. Confira o trailer:
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