O Ministério Público Federal analisa a venda de corpos do Hospital Colônia de Barbacena na década de 1970, no qual se estima que morreram mais de 60 mil pessoas, sendo o cenário do conhecido Holocausto Brasileiro.
As informações acerca da venda dos corpos foram encontradas em cópias digitalizadas de livros de registro da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), que confirmam a comercialização de mais de 1.867 corpos para instituições mineiras entre 1971 e 1975.
A ação foi travada contra a Fundação Educacional Lucas Machado (Feluma), a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), o Estado de Minas Gerais e a União, sobre a comercialização e a dissecação de no mínimo 105 corpos na Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais entre 1971 e 1975.
Os documentos históricos resgatados para a investigação demonstram que a Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais adquiriu os corpos de pacientes por cerca de 50 cruzeiros novos, valor que era utilizado para conservar e transportar os cadáveres.
Após ser oficiada pela Justiça, a Faculdade de Ciências Médicas realizou buscas em seus arquivos e encontrou cópias de documentos históricos comprobatórios dos períodos de 1960 e 1970, não oferecendo nenhum embargo ao trâmite jurídico e, por isso, o processo segue em análise.

Após a análise dos fatos, as instituições que estão sendo investigadas precisarão tomar uma série de medidas de reparação, visto que esse tipo de crime não possui prazo de prescrição. Entre as principais medidas estão: pedido formal de desculpas, preservação da memória, indenizações, entre outras.
Para saber mais sobre o Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena, indicamos a leitura do livro Holocausto Brasileiro, de Daniela Arbex, publicado em 2019 pela Editora Intrínseca. O livro é resultado de uma investigação feita pela autora que escancarou a condição insalubre na qual as pessoas que ali eram deixadas viviam.
A análise desses documentos e a possibilidade de reparação histórica por conta da venda dos corpos de pessoas é mais do que necessária. É a confirmação de que parte da nossa história encontra-se ainda esquecida e apagada e que muitos acontecimentos ainda precisam ser investigados.

