As Forças Armadas de Israel reconheceram, em um relatório divulgado nesta quarta-feira (19), que soldados israelenses abriram fogo contra o veículo, o que significa que admitiram ter assassinado Hind Rajab, a menina palestina de 5 anos cuja morte provocou grande repercussão internacional.
Leia o relatório:
“As investigações revelaram que as forças da IDF atiraram em um veículo que se aproximava na direção oposta à rota de evacuação anunciada em um comunicado preliminar do porta-voz da IDF aos moradores da região. Segundo as informações, o veículo pertencia à família Hamada e, como resultado dos disparos, cinco passageiros morreram e dois sobreviveram: Hind Rajab e sua prima Lian”, diz o comunicado.
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Hind morreu em janeiro de 2024, junto com familiares, enquanto tentava deixar a Cidade de Gaza durante o genocídio israelense que já culminou na morte de pelo menos 70 mil palestinos, dentre eles cerca de 30 mil crianças. Na ocasião, o carro transportava a menina, quatro primos e dois tios quando foi atingido por disparos. Após o ataque, Hind sobreviveu ao lado do corpo de parentes e conseguiu telefonar diversas vezes para serviços de emergência, pedindo ajuda e conversando por horas. Seu corpo só foi localizado dias depois.
O caso também envolve a morte dos socorristas que tentaram salvar Hind. Ao se aproximarem do carro em que a menina estava, eles também foram alvejados e mortos.
Segundo o relatório israelense, uma investigação sobre os dois casos será aberta. No total, foram 15 socorristas palestinos mortos em Gaza envolvidos neste e em outros episódios semelhantes. Eles eram assassinados, então as tropas passavam com tratores sobre os corpos e os veículos destruídos, enterrando-os em uma vala comum.

No caso de Rajab, a ONU e as equipes de resgate só conseguiram chegar ao local uma semana depois para recuperar os corpos. A investigação que se inicia faz parte da conclusão de uma análise de 150 incidentes relacionados à atuação das tropas israelenses naquele território.
A morte da menina ganhou projeção mundial e inspirou o filme A Voz de Hind Rajab, que recebeu indicação ao Oscar. Não fosse a voz da arte revelando a história, o silêncio do mundo continuaria diante do genocídio do povo palestino. É preciso continuar falando para que o véu da colonização israelense continue caindo.

