A escritora e linguista Maria da Conceição Evaristo de Brito foi aprovada, por unanimidade, como nova Doutora Honoris Causa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A decisão foi tomada pelo Conselho Universitário da instituição, após indicação de estudantes e professores da Faculdade de Letras.
Ex-aluna da graduação em Letras da UFRJ, onde se formou em 1990, Conceição Evaristo possui mestrado em Literatura Brasileira pela PUC-Rio e doutorado em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Ao longo de sua trajetória, tornou-se uma das vozes mais potentes e influentes da literatura brasileira contemporânea.
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Autora do conceito de “escrevivência” que articula escrita e experiência a partir da perspectiva de mulheres negras, Evaristo abriu caminhos importantes no mercado editorial brasileiro, tradicionalmente dominado por homens brancos e de elite. Sua obra é profundamente marcada pela ancestralidade, pela memória e pela vivência da população negra no país.
“Ao ratificar o legado de Conceição Evaristo, esta universidade consolida sua vanguarda na promoção de uma academia plural, ética e comprometida com a desconstrução do racismo estrutural brasileiro”, afirmou a relatora do processo, professora Izabel Calland Beserra.
A concessão do título de Doutora Honoris Causa reconhece não apenas a relevância literária e acadêmica da autora, mas também sua contribuição fundamental para o pensamento social brasileiro e para a visibilidade da literatura negra feminina no Brasil e no exterior.
Principais obras de Conceição Evaristo
Ponciá Vicêncio (2003) – Romance (estreia)

A história acompanha Ponciá, uma mulher negra que deixa o interior de Minas Gerais (com raízes em uma comunidade de descendentes de escravizados) em busca de uma vida melhor na cidade grande. O romance explora memória ancestral, identidade, sonhos frustrados e o peso da herança da escravidão, mesclando passado e presente de forma poética.
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Becos da Memória (2006) – Romance

O livro retrata a vida em becos e periferias, narrando as complexidades humanas de personagens que enfrentam abandono, preconceito, fome e miséria diária. Com narrativa entrelaçada de memórias e vivências, destaca a resiliência e os laços afetivos em contextos de exclusão social e racial.
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Olhos d’Água (2014) – Contos

Quinze contos densos e viscerais que retratam o cotidiano de mulheres (e alguns homens) negras marginalizadas, vítimas de racismo, pobreza e violência urbana. Com crueza e sensibilidade poética, a obra humaniza personagens como Ana Davenga, Duzu-Querença e Cida, expondo feridas sociais sem idealizações.
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Canção para ninar menino grande (2018/2022) – Romance

Trata-se de um mosaico afetuoso de experiências negras, um canto amoroso e dolorido. Na figura do personagem Fio Jasmim, Conceição discute com maestria as contradições e complexidades em torno da masculinidade de homens negros e os efeitos nas relações com as mulheres negras. O livro é um mergulho na poética da escrevivência e ao mesmo tempo um tributo ao amor sob uma ótica poucas vezes vista na literatura brasileira.
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