Em questão de minutos, um professor de 47 anos impediu que uma tragédia no Nepal ficasse ainda pior. Rajendra Dawadi, diretor da Escola Secundária Tribhuvan Trishuli, em Nuwakot, tirou do prédio cerca de 900 alunos que já estavam no colégio e bloqueou a chegada de outros centenas que ainda vinham a caminho. Pouco depois, a enchente desceu o vale do rio Trishuli e levou embora o edifício de três andares. A escola tinha 1.643 estudantes matriculados.
Na manhã de quarta-feira (26), Dawadi dava aula quando surgiram os primeiros avisos de vilarejos rio acima. O contador entrou na sala dizendo que a água avançava; professores receberam ligações de familiares e uma mãe apareceu para buscar o filho. Sem comunicado oficial e com informações contraditórias, o diretor decidiu não esperar. Tocou o sino, suspendeu as aulas e mandou alunos e funcionários subirem para um ponto mais alto. Segundo a Reuters, restavam cerca de 14 minutos entre o primeiro alerta e a chegada da enchente.

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Havia ainda o risco de quem estava a caminho. Dawadi ligou para os motoristas e mandou os ônibus voltarem. Um deles, já perto da escola, cruzou uma ponte momentos antes de ela desabar. Quando a água atingiu o colégio, alunos e professores viram de um terreno elevado o prédio sumir sob lama, pedras e destroços. Mais de 900 estudantes e 16 funcionários se salvaram; dois membros da equipe seguem desaparecidos.
O gesto de Dawadi virou um dos poucos sinais de alívio no desastre. Pais o procuram para agradecer pela vida dos filhos, mas ele recusa o papel de herói. O que o preocupa agora são as marcas que ficaram: crianças traumatizadas e uma comunidade escolar sem prédio. Ele pede apoio psicológico aos alunos e a reconstrução da Tribhuvan Trishuli em um lugar mais seguro.
Com informações do Pragmatismo Político

