Na última semana, foram apreendidos em três municípios do Piauí diversos documentos sobre a história deste estado, entre eles, os documentos de compra e venda de escravizados no Brasil Império.
A ação de apreensão foi deflagrada pelo Ministério Público do Estado do Piauí em parceria com o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e recebeu o nome de Operação Guarda-Mór.
O nome da operação está relacionado às funções dadas ao Guarda-Mór, oficial que era responsável pela preservação e conservação de documentos e arquivos na era colonial. Este título refere-se ao símbolo de guarda e proteção documental.

A finalidade desta operação, segundo o Ministério Público do Estado do Piauí, foi localizar para preservar documentos e arquivos, que a partir de agora serão catalogados e analisados pelos técnicos do Departamento de História da Universidade Federal do Piauí (UFPI).
A partir da análise dos especialistas, será possível identificar e determinar o valor histórico e cultural dos documentos apreendidos. Este material de valor inestimável estava localizado na Fundação Cardoso Neto e, após tentativas de manter contato com a pessoa responsável pela preservação do acervo, sendo assim autorizada a busca e apreensão.
Segundo relatos do promotor de justiça do município de Campo Maior e da professora Talyta Marjorie Lira, secretária da Associação Nacional dos Historiadores (Anpuh), seção Piauí, quando o fundador do museu, Zé Didôr, estava vivo, os documentos e artefatos eram bem cuidados e com acesso livre para pesquisadores e estudiosos; entretanto, após a sua morte, os materiais sofreram com o abandono.
Agora, em posse de pesquisadores vinculados à Universidade Federal do Piauí (UFPI), esses materiais poderão ser organizados, higienizados e digitalizados, em um esforço de manter todos os documentos encontrados em um bom estado de conservação.
Durante muito tempo, boa parte da história documentada do Brasil esteve esquecida nos escombros de prédios abandonados, soterrada pelo descaso e pela falta de cuidado de quem detinha sua posse. Agora, podemos apreciar essa parte da história que nos foi roubada e não cair mais no erro de acreditar em uma história única.

