Crítica: “Rivais” traz uma disputa tensa dentro e fora das quadras de tênis

“Tênis é como um  relacionamento”

Você pode não gostar de tênis ou pior, como eu, não entender bulhufas, mas duvido não apreciar a grande jogada que Luca Guadagnino fez neste filme. Simplesmente o que você vai assistir é uma baita partida de tênis, cheia de reviravoltas e que te segura na poltrona.

Temos um evento principal que costura todos os outros eventos, que é a partida de tênis entre Patrick (O’Connor) e Art (Faist) que acontece em 2019, amigos desde a adolescência que conhecem a jovem tenista promissora Tashi (Zendaya) em 2006 antes de se profissionalizar. Naquele momento Patrick e Tashi tem um relacionamento. Atualmente Patrick e Art já não são mais amigos e Tashi está casada com Art. Agora, tenista profissional, porém passando por uma fase difícil. Então é desta forma que o filme funciona, três indivíduos, três tempos nos contando de forma picotada em forma de flashbacks cada momento para que possamos juntar os fatos. 

Essa forma de narração dá a dinamicidade que é onde o filme brilha, jump cut, e whip pan são vírgula na montagem, além dos mais variados pontos de vistas os quais a câmera é inserida e trilha sonora frenética e compassada. Monotonia aqui jamais.

No centro deste triângulo está Tashi, antes tenista prodigiosa, hoje técnica do seu marido. Tashi ocupa esse lugar não só na forma romântica, mas como na profissional e Guadagnino soube trazer isso de forma magistral para a tela. Seja pela composição do cenário, seja pela posição de tomada de decisão, ou seja, simplesmente, com Tashi, literalmente, sentada no meio dos dois amigos. Ela é a coluna desse relacionamento, ela que dita as regras e todos obedecem, e é por ela que todos estão desempenhando os papéis que desempenham, ela está no comando e dela a última palavra. Sem falar que foi por ela que essa disputa começou.

Leia também: O caso Andy Murray: o que a arte pode aprender com o esporte?

Temos aqui também um quarto relacionamento: o dos três com o tênis, estando em frequências diferentes, ou em pontos diferentes, tênis é a língua que Art, Tashi e Patrick dominam e essa é a lingua que o telespectador vai se fascinar.  

Além da montanha russa que o roteiro nos proporciona, e desfecho também é além de satisfatório. Faz você vibrar a cada segundo, e tudo de repente faz sentido. A última cena do filme, realmente é de arrepiar, tudo pelo não dito. Durante todo o final da partida Art, Tashi e Patrick brigam, se enfurecem, desacreditam, suplicam, se arrependem, se exasperam, e se contagiam sem trocar uma só palavra.

Pode-se achar ainda que o filme é um filme de esporte, e ele é, mas não somente. Você não vai tirar nenhuma moral da história ou se debulhar em lágrimas com alguma superação. “Rivais” tem muitas camadas, uma delas é o tênis, mas o filme fala sobre relacionamentos, e sim tênis é um relacionamento. Assistindo você vai entender.

Estreia dia 25/04, não perca a chance de assistir no cinema!

Related posts

Jardim dos Desejos (2022): a jardinagem e o cuidado como metáforas contra um mundo brutal

Vermelho Monet (2022): a poesia do cinema em estado bruto de cores e amores

CRÍTICA: A estrela cadente (2023): filme bom também é aquele que (se) distrai