O absurdo caso de racismo sofrido por Lupicínio Rodrigues em Porto Alegre

Lupicínio Rodrigues, um dos maiores compositores do Brasil, sofreu um caso de racismo absurdo, mas que ainda é pouco conhecido. No dia 1 de dezembro de 1966, Lupi já era famoso no Brasil inteiro. Sua voz estava em todas as rádios e seu nome nos encartes de disco, mas isso não impediu que ele fosse proibido de ser servido num estabelecimento por conta de sua raça.

Nesse dia, ele chegou à lancheria Olé, em Porto Alegre, para jantar com um amigo. Após demora no atendimento, eles chamaram o garçom e ficaram sabendo que o proprietário do estabelecimento proibiu que eles fossem atendidos. O motivo? Segundo o dono, aquele lugar ser “privativo da raça branca”.

Lupicínio não deixou quieto: chamou a polícia, registrou queixa e fez um barulho tão grande que amigos, fãs e apoiadores antirracistas lotaram a porta do estabelecimento. Reunidos, diversos negros entraram no restaurante e sentaram-se nas mesas, obrigando que o dono os atendesse correndo o risco de ser denunciado em massa pelo crime de práticas racistas. Um dos gestos antirracistas mais lindos que já vi, primeiro em apoio ao Lupi e, depois, na acuação do racista.

Leia também: “Lupicínio Rodrigues: Confissões de um Sofredor” (2024): filme conta a vida do pai da sofrência

Mas isso só foi possível porque Lupicínio fez uso da Lei Afonso Arinos, de 1951, que prevê penas de reclusão de um a cinco anos e multa para os condenados por práticas racistas. Além disso, a lei estabelecia que o crime de racismo é inafiançável e imprescritível, ou seja, não pode ser objeto de fiança nem perde a validade com o passar do tempo.

Na foto acima, um registro da Folha da Tarde retratando o caso como deveria: RACISMO. Essa e outras histórias estão contadas no filme “Lupicínio Rodrigues: Confissões de um Sofredor”. Para saber mais dessa e de outras histórias, confira nossa live com o diretor do filme, Alfredo Manevy:

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